terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Froggy

Mateus era um sapo. Um sapo não tão feio. Não tinha tantas rugas ou verrugas, porém, ainda assim, era muito solitário. O sapo mais sozinho do pântano. Sonhava em encontrar uma princesa que o beijasse para que pudesse se tornar o príncipe da vida de alguém. Como todos sabem, o destino da grande maioria dos sapos é sempre outro. O outro caminho que costuma não ter princesa alguma.
Certo dia, no meio do lago, Mateus, o sapinho, enxergou uma bela garota brincando na margem. Ela era bonita e se vestia muito bem, tinha belos olhos que logo chamaram a atenção do sapo. A garota odiava animais peçonhentos e acabou por jogar o pobre sapo longe, bem longe, antes que ele pudesse soltar a língua pra fora para que pudesse falar alguma coisa. Isso matou o sapinho por dentro e, mais tarde, naquele dia, o pobre animal teve o mesmo fim dos outros sapos: acabou sendo atropelado na rua Edson Campos. Descanse em paz, bichinho.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A maior bosta que já escrevi


Isso tudo ficou insuportável e cansativo para Ricardo
o sol torra sua cabeça como se o odiasse
e tem sido assim com todo forma de vida viva
ninguém escapa da ira dos raios solares
Essa coisa toda mata o garoto de desânimo
uma mosca preta e grande penetra sua cabeça
e morre em solidão conflitando com seu cérebro
outros insetos desejam sua carne podre
decompondo enquanto o sol continua a lhe bater
ele sente saudade do gelo da sua ex namorada 

domingo, 23 de dezembro de 2012

farpa

Odeio o modo como me porto de vez em quando.
Como olho para os lados fingindo estar procurando alguém.
Faço isso mesmo sabendo que não procuro pessoas
pois não tenho a quem procurar
ou esperar.

Talvez o que mais me doa seja achar que não tem ninguém me procurando
ou esperando...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

carta à pessoa mais bonita que já conheci

Oi. Voltei pra escrever aqui algo não muito feliz que aconteceu recentemente. Ainda estou bastante chateado, mas, também, tentando desviar essas coisas tristes do foco principal. Perdi minhas gatas. É, as duas. Agora eu só tenho o videogame mas também perdi a vontade de usá-lo. A de estimação roubaram e a outra mudou de mim. Meu castelo de cartas voou com o vento e vai ser muito difícil de construir outro parecido. Não sei se eu deveria escrever algo assim aqui, talvez devesse deixar somente no meu caderno de reviver, mas, ah... eu nem tenho mais vontade de escrever as coisas nele.  Eu devo ter errado em algum ponto e pensar que as coisas acabaram por um erro meu me mata. Me mata mesmo. Talvez eu fosse mesmo muito sufocante, mas nunca era por mal, sei lá... É tão difícil tentar se explicar. Você, nenis, provavelmente nunca leia isso, talvez nem se lembre desse blog ou do post abaixo (que também fala de você, só que feliz). Diferente das últimas sms's no seu celular, vou deixar você achar isso sozinha. Chorei vendo O Hobbit porque um dos anões ofereceu um "chá de camomila" ao Gandalf e vendo 500 days of summer porque, bem, eu já te disse o porquê. Preciso tirar seu nome e seu rosto de tudo o que me cerca. Eu espero que você seja feliz na sua vida sem meus beijos ou mensagens de boa noite. Espero que "mais pra frente a gente se encontre", como você mesma disse. Eu te amo.

Tenho muita coisa pra falar, mas acho que vou começar a chorar, então, melhor parar aqui

terça-feira, 23 de outubro de 2012

uma 'eu te amo' como a do chico, só que real


queria te escrever algo com máquina
máquina de escrever, que faz barulho
mas eu não tenho máquina de escrever
queria te dar um presente bonito
presente dentro de embrulho
mas eu não to com dinheiro
e to me sentindo meio esquisito.
tenho escrito isso enquanto converso com você
queria estar juntinho aí pra te fazer cafuné
porém, o que posso fazer é tentar te acalmar daqui
minha vontade era chegar aí a pé
bater na tua porta ou abrir teu portão
abrir, dos teus pais, o coração
pra ter passe livre pra te levar passear.
queria te dar um beijinho de boa noite qualquer dia
te mandar uma carta escrita com a máquina
te desenhar do meu lado e ter teu batom no meu rosto
queria beijar sua buceta. queria beijar sua buceta
pelo carinho, não quero só sexo com você
eu amo teu corpo. eu amo teu rosto. tua voz
você é a melhor pessoa já feita
você é a mulher mais perfeita!
quero tomar banho de chuva e matar barata
quero fritar hamburger
quero fritar batata
e comer os dois com você
derramar coca na sua calça e pedir desculpa
depois tirar sua roupa e tomar banho
e dormirmos abraçados na nossa cama
de pensar nessas coisas, dá na garganta um nó
no chão do nosso quarto, vai estar a giló.
eu te amo como nunca amei alguém.
eu não preciso amar mais ninguém.
eu te amo. dorme bem. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Soterrado de cimento II.


          Estou com a aparência horrível e odiosa. Meus cabelos têm o brilho ofuscado pelo escuro do pó. Minhas mãos doem, minhas unhas doem e sangram. A cabeça doi constantemente - eu não quero estar aqui. Há feridas na minha boca. Por dentro e por fora. Minha língua está podre.
          Minhas roupas estão sujas. Meus braços e minhas pernas também. Sinto muita fome e, também, sinto receio de me sentar àquele banco branquinho, que parece intocável. Quando sento, o sujo. Estou sujo. Eu não quero estar aqui.
          É doloroso conviver com o fato de ser obrigado a ir num lugar onde todos te julgarão. Ninguém gosta do meu cabelo ou da minha barba. Ninguém gosta da minha camiseta desbotada. Ninguém entende quando questiono "qual o problema em dois homens se beijando?". Eu estou sempre errado nesse lugar e eu não quero estar aqui.
          Piso de pé preto no chão branco da cozinha. Por falta de pano de chão, borro toda uma limpeza com a graxa da minha bota. Peço desculpa mas só ganho patada. Meu nome para eles é errado. No lugar de "Neto" tem um "Pinto". É como se eu fosse outra pessoa e ganhasse o salário para outra pessoa. Há quase um mês eu sou outra pessoa, mas quem sente as chicotadas sou eu, o Neto. O machismo reina nesse lugar.
          Há dias em que eu desço da bicicleta e, ao bater o dedo, ouço piadas que ferem. Chego a me imaginar armado, matando a todos e depois dando um tiro na minha boca. É por sentir tanta raiva que eu não quero estar aqui.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Every town has an Elm Street


          Passando pela rua da igreja num dia desses indo trabalhar, notei que o portão de um daqueles sobrados agora é branco. O bar, que antes era outra igreja, virou um double de sobrados triplex. A dona Genoeva, vó do Vovô e da Camila, já morreu faz um tempão, mas sempre lembro dela quando passo por essa rua (todos os dias). O cunhado da dona Zila morreu e seu beagle de estimação morreu. Morreram também aqueles dois cães que latiam sempre quando eu caminhava à loteria da minha mãe. O Sargento tava trampando de segurança num mercado ali de Santa. Acho que ele parou de ir ao bar do Gaúcho. Aposto que tretaram. O Gaúcho tretava com todo mundo. Na esquina, onde tinha aquele matagal em que a piazadinha fazia guerra de mamona, hoje tem quatro outros sobrados. Num deles, quem mora é a dona Olga, que costurava minhas calças quando era criança e que morava na frente do sobrado do portão branco.
          No outro lado da esquina, quem morava (e mora) lá é o Jardel. Quando a gente era criança, a gente jogava bola juntos. Depois ele cresceu e virou um bosta. Vai ver ele sempre foi um bosta e eu era pequeno demais pra entender. Ele era vizinho do Tuca. O Tuca é gago e era legal pra caramba. Uma vez ele apareceu com o Zeca Camargo na TV, correndo pelo Parque Barigui. Lembro que fiquei muito feliz com aquilo e que tinha dado muita risada. Em frente à sua casa é onde tem aqueles motoqueiros. Sempre que passo ali, tem, até hoje, um carro vermelho com adesivos no Lino's Bar e do Mão-de-Ferro. Não sei que carro que é, não dou a mínima pra carro. Sei que nunca fui com a cara daqueles caras e nem com esses adesivos (mas a menina que mora em cima é bem bonita).
          Seguindo a rua, tem o sobrado azul (sobrado de boy, tem até campo de futebol) e do lado tem a casa da dona Elena. Dona Elena era vó do 'Migué' e eu nem sei se o nome dela se escreve assim mesmo. Quando seu marido, vulgo 'Seu João' morreu, eu senti muita tristeza. Ver ele fraco daquele jeito na cama não me fez bem. Nem sei do que ele morreu, mas sei que eu gostava bastante do Migué. Ele foi pro Japão e voltou. Agora mora numa cidade de Minas Gerais, eu acho, e, se voltasse, a gente não teria nada em comum...
          Do lado, moram, em duas casas, o Hugo e o Tião. O Tião é um dos meus tios mais próximos. Uma vez ele bateu o carro indo pro Jd. Itália e cabotou um monte. Isso foi em 2004 e eu fiquei desesperado. O Hugo é meu primo que trampa comigo e tá na banda dos amigos. O pai dele é meu chefe. O pai dele tava atrás de mim me dando tchau enquanto escrevia isso. O Hugo morava no sobrado cujo o portão agora é branco. Na esquina de cima, é o bar do tio Pedrinho. Tio Pedrinho está morrendo. Não vou sentir a sua falta, nunca fomos muito próximos. Sempre que eu passava na rua, ele nenhuma vez me cumprimentou, acho que nem sabe que sou sobrinho dele. Ele se parece muito com meu pai mas tem a estatura das minhas tias. Coitado do tio Pedrinho. Vai morrer logo depois de seus outros sobrinhos - esses sim, próximos - terem sido assassinados por engano. Descansa bem, tio!
          Descendo a rua, moram o Pangelo, Caio, Dener e mais algumas tias, primos e um tio. Dificilmente - quase nunca - meus parentes me visitam ou visitam meus pais. Eu nem me importo, nunca liguei pra isso mesmo. Tô nem aí. Depois que você atravessa a rua pela última vez antes da estrada, não se tem ninguém de importante. Ninguém que tenha sido meu amigo ou que eu tenho história pra lembrar.
          Meu coração não tá mais nessa rua. Ele tá longe. Ele vai voltar... Caralho, eu tô morrendo, mesmo, de saudade...

sábado, 8 de setembro de 2012

Seven

Sete vidas.
Igual gato.
Somos dois gatos.

Sou o gato que você não teme.
Cê é a gata que eu mais gosto.

sábado, 1 de setembro de 2012

As noites de Curitiba já não têm tanta graça


Acordei assustado, meio tenso. Hoje eu tive folga do trabalho e tive a oportunidade de viver fora da fumaça de óleo diesel, ainda que fosse por pouco tempo. Senti como se fosse uma brecha que eu abri na vida para, sei lá, me sentir um pouco vivo no meio dos amigos e das amigas. A noite caiu e eu ainda me sentia vazio. Vazio como me sentia quando saí de casa. Sábado estranho... Sábado vazio. Foi tudo muito rápido. Os cumprimentos, os abraços, os goles de cerveja, hamburgers de soja, risos e até lágrimas. Tudo durou pouquíssimo.

Na hora do tchau, como não havia companhia para ir embora de ônibus, resolvi mudar a rotina do centro e andar oito quilômetros até a minha casa. Fui impedido. Não me deixaram. Talvez fosse mesmo bobagem e eu nem fiquei nervoso com isso. Caminhei com outros três até meu tubo, subi e entrei no ônibus. O caminho todo levava um velho falando ao celular: "Oi. Aqui é o Ferrari. Quer trabalhar amanhã? Pode chegar às onze..." e uma menina falando ao celular sobre ter levado um pé na bunda de um tal de Fernando. Ela parecia ser legal, esse Fernando deve ser um babaca. 

Chegando no terminal, ainda estava com vontade de andar. Nessas alturas, não seriam os mesmos oito quilômetros. Agora, eles foram reduzidos a dois. Ainda estava assustado. O susto matinal tinha tomado conta de mim, do meu coração e pensamentos. Eu estava pensando muita bosta. As mesmas que eu pensava antes. Estou sentindo muita saudade e, de vez em quando, acho que vou morrer. Morrer de saudade. Andei os dois quilômetros (porra nenhuma, é bem menos que isso) e cheguei em casa. Concluí que o céu de Curitiba está pelado. Tudo o que o colore, é uma lua soltária, a esta hora, bem pequena. Caralho, tem vez que estar sozinho é dificílimo. Nunca me acostumarei...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Happy days are here again"

Oi. Faz muito tempo que não paro nesse blog para escrever algo que não sejam essas linhas pouco poetizadas que eu costumo lançar. Antes, eu costumava escrever sobre meus dias, sobre a minha vida. Senti vontade de fazer isso outra vez e é isso o que vai acontecer agora.

Tô ligado que é pouca gente que lê isso aqui, mas sei também que tem gente que acompanha desde quando comecei com tudo. Quando eu falava da minha vida, era sempre para reclamar. Era sempre pra dizer que eu estava insatisfeito, que eu era tímido demais, que eu queria um videogame, uma namorada e um gato. Pode-se dizer que hoje em dia consegui os três (ou quase...)

Cansei de falar sobre como eu era infeliz, por isso resolvi apenas fazer poesias, ainda que bem pobres e às vezes não tão bonitas. Sei lá, meus dias não eram bonitos, tudo o que eu fazia, não achava bonito. E é sobre essa mudança que eu quero falar.

Não sei se vocês já passaram por isso, mas sabem quando você tá no fundo - bem no fundo - do poço e acha que o que há de acontecer é você padecer para tudo, levar pancada e afundar cada vez mais? Eu sabia o que era isso. Sabia como era estar sendo enterrado vivo num poço fundo... Até que fui salvo.

O título desta postagem é este, porque, os dias felizes estão aqui novamente. Há dois meses os dias felizes voltaram. Há dois meses que me devolveram algo de mim que eu tinha perdido. Sim, mano, eu tô contente pra caralho com isso tudo e digo muito certo que as coisas estão funcionando. "O amor continua uma bosta, mas fazer o quê? Eu tô amando". Tô feliz em ver que, por algum motivo, eu faço sentido na vida de alguém (desculpas aos amigos, mas cês sabem de qual sentido eu tô falando).  Tô feliz de tomar doses de chá de camomila todos os dias, ainda não são as doses que eu realmente quero, mas, fazer o quê? Com o tempo isso vem. Fico grato a DEUS ;D, esse zuão, por isso estar acontecendo comigo. Porra, eu nunca achei que fosse ser recíproco um dia. Confesso ainda estar surpreso com isso. Eu adoro ser surpreendido positivamente. A vontade de viver voltou e eu estou muito feliz de acordar todos os dias sem a vontade de morrer que eu tinha.

Sei lá. Nada daqui é novidade há dois meses pra mim. Queria partilhar com vocês, leitores-fantasma, tão presentes e atentos aos meus sofrimentos do passado recente. Esse blog deixou de ser oculto há anos e, agora, deixa também de ser opaco.

Quero que isso dure. Que vá além de 2019 ou além de qquinze anos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Soterrado de cimento


Havia um bom tempo que não passava a tarde coberto por essa avalanche de pancadas na cara. Eu não estava sentindo saudades disso. Meus horários se inverteram de repente e eu ainda não me encontrei. Queria poder contar que eu me sinto bem, porém, de vez em quando a ferida ainda abre. Peço desculpas. Não quero mentir pra ninguém.
Passei a odiar duramente o meu trabalho. De uma forma quase tão intensa quanto odeio a mim mesmo. Tudo tem ficado feio e desorganizado. Não aguento mais anotar códigos, DOT’s ou números de fogo. 27. 71037894. DOT 2008. Ah, vão tomar no cu.
Tem vez que eu tô no corredor da parte de fora varrendo. Olho pro céu que me revida o olhar com muita frieza - tá cinza, vai chover e molhar o pó que varro. A moça da cozinha passa por mim e não me dá boa tarde. Olho as árvores que me acenam como se reprovassem o que estou fazendo - estou varrendo muita formiga, sem querer até piso em algumas. Isso me entristece de uma maneira tão aguda…
Porra, tem dias que ir pro trabalho é uma bosta.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

So very tired of being sick

a vida é isso
cê fica doente, sua mãe fica doente
na casa, no teu quarto
encontram-se remédios demais e saúde e amor de menos
então você percebe que a tua medicina
o teu remédio
é muito incerto e custa bem mais de vinte mil pés

de repente, seu corpo deita
cê ensurdece
e resolve ligar a televisão:
no jornal tem guerra e muita morte
no ratinho tem homofobia e machismo
e você nota que essa tua gripe nem é nada
perto da doença que é o mundo por si só

e a vida é isso: nossa cansativa doença terminal

domingo, 1 de julho de 2012

Eu odeia eu serum ano


dá raiva de mim até pra olhar no espelho e escovar os dentes
é por causa disso que faço esse tipo de coisa sem acender a luz

odeio o jeito como minha respiração funciona mal
se o nariz não funciona direito e tenho que respirar pela boca
seria mais fácil se toda essa porra parasse de uma vez

homens são espancados por estarem abraçados
são despedidos dos empregos de merda que têm
e ainda querem que eu veja tudo com otimismo…

esse mundo é só o inferno de alguma outra coisa

terça-feira, 19 de junho de 2012

buscando força da raiz da árvore

eu queria fazer com que vocês se parecessem comigo
queria que as coisas que escrevo refletissem algo
familiar aos seus olhos e
que quando fossem lidas em voz alta
aos seus ouvidos

tá ligado quando cê tosse muito e fica sem ar
ou seu rosto queima
seus olhos quase saltam do rosto?
tá ligado quando cê fica parada numa má posição
e quando ajeita o corpo os ossos se estralam?
sabe quando cê vê que a outra menina tá namorando
e cê fica sem saída dentro de si mesmo
querendo que o mundo todo te esqueça?

sei lá, eu só queria que cês pensassem assim:
"caralho, sei bem como é passar por isso!"
talvez isso conseguisse me curar
e fizesse eu me sentir um pouco menos sozinho

domingo, 17 de junho de 2012

19h49

19h44
essa é a hora local na minha casa
um dia vazio, cinzento, rabugento e muito sem graça
um pedaço esquecível do fim de semana
que tentou imitar o rastro de fracasso que há no meio dela
e conseguiu fazê-lo perfeitamente

o que era para ser uma espécie de refúgio
tornou-se apenas outra prisão do meu corpo
todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, não é assim
que aquela música ruim canta?
pois é.
o sábado à noite só me mostra que o domingo vem rastejante
que te agarra pelas pernas, te derruba e te amordaça
e você, sem saída, sem amigos, sem carinho
acaba ficando longe de toda coisa que é boa

escrevo todas essas coisas para me sentir melhor
parece tão eficaz quanto encher o braço de cortes
amanhã o dia vai amanhecer como hoje
frio, sem graça e solitário
fazendo com que eu pense que sou o pior que existe
tentando me empurrar contra a parede

cansados de perder, alguns tentam mudar por dentro

terça-feira, 12 de junho de 2012

Escrita interrompida

morro de vontade de passar na tua rua
de pegar uma latinha da mochila e pichar teu muro
escrever que teu cabelo é bonito
escrever que teu sorriso é bonito
mas eu sei que isso vai soar mal
tenho medo do vizinho ligar pra polícia
e que eu seja preso pelo policial
eu sou uma criança, ainda
mas eu tenho vontade de pichar o teu muro
e dizer que sonho com você toda noite
e dizer que o teu banco no bonde tá guardado
do meu lado
mas o policial me enche de medo...

domingo, 10 de junho de 2012

Parando

é domingo à noite e você chegou em casa
passou o dia todo cercado por gente gostosa
mas algo ainda incomodava
e você, quando sorria, demonstrava ser forçado
porque sabia que dentro de você
alguma coisa havia sido roubada
e você só queria que seu coração voltasse a bater

a música terminou e todos pegaram o rumo
estava frio e chovia bastante
como tem feito todos os dias e noites do mês
você, então, parou ao lado de um poste
forçou bem o calcanhar no chão
e a parte da frente começou a bater numa poça d'água
imitando um batimento pulsante
tentando reanimar seu coração
para que ele voltasse a bater

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quinterziza

a gente escova os dentes mas não esquece o quão ruim tudo está
no domingo cê tem folga mas cê não vai aproveitar
vai ficar em casa assistindo futebol e comendo o dia todo
arrotando a pizza fria que comeu ontem à noite
enquanto assistia àquela luta de brutais dentro duma jaula
e que pessoas supostamente reais a cercavam
e gritavam coisas como "quebra ele", "acerta!" e "você é um bosta"

vai ver acender um cigarro e chamar os outros de viado seja bem mais fácil

cê tenta achar algum sentido nas coisas que faz
vai ao parque de bicicleta e tenta respirar um ar puro
e consegue
vê o lago, sente a garoa, olha as árvores, os patos, capivaras
depois pega o rumo de volta e tudo volta
tudo sempre volta
e a solidão que fazia sua alma de prisioneira
toma sua cabeça de assalto
pega tudo o que é teu pra ela
e faz com que cada vez que você se deite na cama
você pense sobre sua vida
e sobre como vai acordar amanhã cedo
pra trabalhar num lugar onde ninguém pensa igual a você
onde todos acendem um cigarro e chamam os outros de viado
e acham que tá tudo bem

vai ver acender um cigarro e chamar os outros de viado seja bem mais fácil
mas eu não quero isso

domingo, 3 de junho de 2012

Vai ver é assim mesmo


vai ver cê não conheceu o amor da tua vida porque não deixou aquela galera estranha jogar bola na cancha só porque tu era o dono da bola e ela era nova.
pode ter sido também por você ter recusado ir ao passeio de formatura da 8ª série pra ficar em casa de nego que hoje esquece que cê existe.
isso é triste. a gente era tudo amigo e hoje cê prefere virar o rosto ao me dar oi ou finge que tá falando com o cara do lado.
vai ver crescer é bem isso mesmo e o tempo só faz o que deve fazer. aparece gente nova e mais interessante na tua vida e você deixa o antigo de lado…
… eu só não entendo porque conhecer gente nova costuma ser sinônimo de esquecer gente velha…

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia doente

Você acostuma a acordar todos os dias na mesma hora que quando acontece algo diferente você até se culpa. Acostuma-se tanto com o seu jeito que quando muda acha que está traindo a si mesmo. Outro milhar de pensamentos ruins tomam sua cabeça como refém e dão força às dores antigas que já estavam prestes a morrer.

De repente, você olha nos seus olhos e não gosta do que vê. Pensa que, na verdade, essa barba e cabelos bagunçados não são pra você. Então você busca uma saída numa busca exaustiva sobre o que acabará sendo o melhor. Você muda a caneta com a qual escreve, compra uma escova de dentes nova, baixa alguma banda desconhecida, conhece gente desconhecida, experimenta sabores, cospe em mais valores e, no final das contas, sabe que nenhuma mudança vai salvar você do abismo que cavou com seus pés.

Espero que o mês de junho seja doce.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Amo cada pinta do teu corpo

Toda a serenidade que faltava em meu mundo
encontrei na curva do teu rosto e nariz.
E todos os tormentos que me machucavam fundo
tomaram o rumo da ida para que eu seja feliz.

Deitado junto à tua pele no chão da tua sala
descobri que minha vida não precisa ser de quinta.
Tu és tão pequena que até cabes em uma mala
que antes, cheias de desamores, eu tinha trinta!

Hoje percebi o quão bem tua voz me faz
e como é bonito teu corpo dançando pra mim.
Quando isso acontece, minha mente fica em paz
fazendo com que eu odeie o momento do fim.

Teus braços pintados, tua testa e o teu seio
ditam qual é a paz que querem que eu sinta.
E é coberto pelo teu amor que diz este rapaz feio:
- Deste teu corpo, hei de amar cada pinta.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Meu coração é o lugar que mais tem babaca

Vocês estão me desapontando bastante.
A cada dia é uma decepção diferente.
Meus parabéns!
Vocês estão me matando e não é só de vergonha. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

De: Para:


chega a ser assustador como a internet funciona
aproxima pessoas distantes que nunca se abraçarão
faz com que elas morram de saudades uma da outra
faz menino bobo se apaixonar por menina de longe (e de perto!)
mesmo sabendo que os dois nunca se abraçarão
isso é mesmo ingrato
as pessoas deveriam mesmo poder se abraçar, se beijar
se tocar, conversar e dar risadas juntas
mas elas são tão incapazes e medrosas
que o jeito como agem chega a ser assustador 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sua alegria acaba (com a minha)

Não é questão de estar sendo invejoso.
Mas sua alegria levou tudo o que eu tinha.
É estranho explicar, mas assim funciona:
A sua alegria acaba com a minha.

O medo que me vem de contar a verdade
É tão grande quanto a alegria que sinto
Quando eu penso em te falar, sem maldade
Sempre, o motivo da tristeza, minto.

Quero sempre poder contar o que carrego
E dizer: acho que sofrer como sofre é perda de tempo.
Mas cada frase que sai dessa sua boca.
Só enfraquece o meu sentimento.

O clima anda muito frio de uns dias pra cá.
Isso faz com que eu queira o seu abraço.
Até quando você diz que deseja o do outro.
Deixando todo meu carinho sem espaço.

E quando eu digo que estou triste.
A causa sempre é sua pessoa.
Que fica triste consigo e com o outro.
E é sempre por algo à toa.

Se, por acaso, isso não se desenrolar.
Basta você olhar para o lado.
Estarei eu só te esperando.
Querendo ser seu namorado.

Por hora, por favor, não me leve a mal
Mas sua alegria destroi minha alminha.
Mesmo assim não é por mal que digo:
Sua alegria acaba com a minha.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Regressiva"

Regresso

Dez, nove, oito...

é muito fácil pegar uma caneta e escrever um monte de coisa
soltar um monte de palavras e achar que elas fazem sentido
enganar-me ao achar que isso me traz algum tipo de bem
quando, na verdade, não tira meu corpo
deste abismo que cavei com meus pés

posso me sentir leve por alguns instantes
mas de repente tudo vai voltar à tona
e eu vou esquecer o quão sozinho eu sou
assim como na canção que dizia que pessoas ao redor não eram nada

o que me falta é uma pitada
um gostinho do que nunca senti
o que me falta é largar de ser eu por um tempo
começar a experimentar outras sensações
acostumar-se com o fracasso foi fácil
quero ver eu sair desse marasmo
afogar-me num outro mar
ou beijar outra boca
solidão mata
eu estou morrendo.

Sete, seis, cinco...

levantei voo muito rápido
caí ao chão e nem percebi
meu nariz em rosto pálido
de desânimo nem sangrou
meu braço cansado
nem quis quebrar
todos os sentidos que tinha
ao cair
deixaram-me caído, simplesmente,
fui esquecido por mim mesmo.

hoje não faço barba,
nem corto cabelo, nem escovo os dentes
não faço comida, não faço café
nem pisco o olho, coração não bate
não tomo banho, não tomo água, não chovo
não faço mais nada
meus sentimentos cansaram de mim
já não tenho motivo pra nada
e nem alguém que beije meu rosto quando chego do trabalho
não faço mais sentido e nem questão
de levantar de manhã.

Quatro, três, dois...

cada pensamento que me vem à cabeça
é um tiro que eu dou em mim mesmo
não consigo ser positivo e nem pensar em coisa boa
e cada pensamento é uma corda que arrebenta

já me perdi no caminho da esperança
voltei e tudo o que restou foram trevas
as coisas boas pararam de me seguir
para que eu corresse atrás delas
mas como já lhes contei
no caminho da esperança eu me perdi

não sei mais como faço pra esquecer
mesmo sabendo qual fonte causa a dor
a dor é a mesma
só muda o criador
a dor é mesmo linda
e cheirosa feito flor
a dor é carinhosa
e bondosa feito amor
mas também me deixa sozinho
sem o que me recompor

sozinho fico
sozinho choro
assim é minha vida
e para sempre será

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pessoa

É muito ruim quando o nome de alguém
ao seus ouvidos boa coisa não soa
Isso pode ser comparado, também,
a ver quem você gosta
gostando doutra pessoa.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Desperta!

De todo o sangue que correu na minha veia.
Pouca coisa que veio está a me sobrar.
Construí os mais belos castelos de areia.
Para que você viesse derrubar.

Todo o bem que dividi no escuro.
Do poço sem fundo não pôde me salvar.
Escrevi as mais belas frases no muro.
Para que você viesse apagar.

A caridade que fazia com necessitados.
Em meu fracasso me deixou afogar.
Atravessei a estrada dos mais belos estados.
Para que você viesse me atropelar.

Todo o tratamento que te dei, de dama.
Não me livrou de ainda ter que respirar.
Fiquei calado, chorando deitado na cama.
Para que você viesse me salvar.

Todo o calor seu corpo me passava.
Fez com que eu parasse de chorar.
E cada vez em que você me aturava.
Era mais um motivo para te amar.

Nos seus pequenos braços virei rei.
E já não tenho do que reclamar.
O mais lindo sonho eu guardei.
Para que você viesse me acordar.

domingo, 1 de abril de 2012

If we turn, I disappear...

Eu queria poder dizer as coisas que sinto de verdade.
De como gostaria de te abraçar e te levar pra passear.
De como eu me sinto quando não nos falamos.
De como eu imagino que a nossa vida será daqui pra frente.
De como um domingo deitado ao teu lado poderia ser bem melhor.
De como o jeito que a tua voz penetra meu ouvido me deixa fascinado.

Eu fico realmente triste com a forma com que costumo agir.
Eu queria mesmo era que você estivesse aqui comigo todos os dias.
Queria que você me abraçasse quando eu estivesse nervoso.
E queria também te abraçar quando as coisas não fossem certas pra você.

Crio um mundo paralelo a este e, na minha cabeça, vivo feliz.
Só na minha cabeça porque só na minha cabeça eu consigo te beijar.
Só na minha cabeça eu te preparo o café.
Só na minha cabeça a gente conversa do jeito certo.
Só na minha cabeça eu consigo ter paz na vida.

A vida gosta muito de me pentelhar e isso realmente me magoa.
Gosta de me maltratar e de fazer com que tudo volte errado pra mim.
Às vezes eu queria ter uma vida diferente.
Outras vezes, nem queria mais ter vida...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Empty days

Sinto-me cansado de dias vazios.
Afinal, isso é tudo o que vivo.

Queria sentir coisas diferentes.
E fazer algo que eu realmente goste.
Mas não posso.
Pois há vozes que falam mais alto.

Alguma coisa deveria ser feita.
Mas quando eu me sinto livre.
Tudo o que quero é morrer por um tempo.
Depois acordar como se nada tivesse acontecido.
Como se o ato de abrir o olhos fosse um recomeço.

Mas eu também não consigo fazê-lo.
Parece que tudo é pesado.
Que tudo me prende.
Que nada está certo ou que nada rende.

É tudo um emaranhado de lixo.
O que há de pior sempre vai em minhas costas.
E eu odeio demais o jeito como eu vivo.

Queria me sentir leve ou fechar os olhos com intensidade.
Com uma tal intensidade. Uma certa intensidade.
Que me mostrasse, enfim, que o que estou fazendo
é o certo para mim e o que eu deveria estar fazendo.

sábado, 24 de março de 2012

Sossego

Não importa o que eu faça.
Nem a folga do emprego.
Eu preciso é de férias de mim.
Para ter mesmo sossego.

terça-feira, 20 de março de 2012

Lost verses

É estanho como outro par de braços.
Muda toda a nossa postura.
Parece que até sair da cama.
Se transforma numa'ventura.

É estranho como outra boca.
Muda nosso gosto por poder.
Parece que até sair da cama.
Nos dá vontade de morder.

É estranho como outro par de pés.
Muda todo o nosso caminho.
Parece que até o carteiro na porta.
Sorri pra nós com carinho.

É estranho como outras duas mãos.
Mudam nosso jeito de estar.
Parece que quando pegamos nela uma vez.
Nunca mais queremos soltar.

É estranho como o abraço doutra pessoa.
Muda toda a temperatura.
Parece que cada noite dentro de casa.
Se transforma numa'ventura.

sábado, 17 de março de 2012

O escuro que ficou claro

E, de repente, tudo resolveu mudar.
Acordei num sábado quente disposto.
Os pedaços do coração de aço resolvi soldar.
E toda a desconfiança trocou de posto.

Saí perambulando pelas calles da cidade.
E, por sorte, o cabelo dela é o que vejo.
Mesmo a gente não tendo a mesma idade.
De repente, nela, eu dei um beijo!

Ela não entendeu bem o que foi aquilo.
E como tive coragem para tê-lo feito.
Eu, por minha vez, fiquei esperando tranquilo.
Ela dizer que o coração bateu forte no peito.

Depois de tal surpresa, resolvemos passear.
Pelas praças, pelos bosques e até num prédio.
De repente, em meu ouvido, começou a sussurrar:
"- Gordinho, tu és meu melhor remédio!"

Gostei bastante deste dia todinho.
Até de nossas vozes perderem o tom.
Batemo-nos no rosto um do outros.
Impresso ficou a marca do batom.

O claro que ficou escuro

Que doença é essa que a gente tem?
Que raiva é essa que dá no ser humano?
Garanto que a resposta nunca vem,
Mas que é mais leve do que pedaço de pano.

Nada do que a gente vive precisa ser pesado.
O lugar em que vivemos não precisa ser escuro.
Às vezes nós devemos esquecer do passado.
E dar atenção somente ao futuro.

Como se isso fizesse alguma diferença.
Sendo dito por alguém como eu.
Um mané que no passado ainda pensa.
E ainda gosta de quem o esqueceu.

Não me venham com tanta frase de efeito.
E nem com juras de que a vida melhorará.
Porque todo castelo que ergo tem um defeito.
E quando padecer novamente, desmoronará.

Portanto, guarde seu discurso de bom moço.
E deixe o lado de cá escurecer.
Porque de uma vida boa só ficou o caroço.
E eu só me interesso por morrer.

terça-feira, 13 de março de 2012

Downers

A menina tentou o seu melhor.
E para ela o boyzinho nem olhou.
Ela, então, subiu ao banquinho do banheiro.
E ali mesmo ela se matou (será?)

Antes do banquinho fazer barulho no chão.
O boyzinho ligou para o seu celular.
Ela pegou ele na mão e não gostou do que viu.
Tentou, novamente, ali mesmo, se matar.

Quando estava pronta para o adeus.
Sua mãe bate na porta dizendo:
"Julia, tem um boyzinho aqui na porta de casa"
Ela não acreditou, mas foi correndo.

Quando viu quem era o boyzinho.
Desabou dos olhos um rio de choro.
Agonizava em segredo a menina.
E na cabeça queria dar o estouro.

O boyzinho se desculpou e tentou explicar.
Porque fez Julia chorar tanto.
Ela já não queria mais saber de nada.
Já, que dela, só se ouvia o pranto.

Nem o boyzinho e nem sua mãe.
Deixaram ela cometer esse erro.
Disseram quase que na mesma hora:
"Eu odiaria ter de ver seu enterro".

Julia, então, limpou as lágrimas.
E decidiu ser feliz, enfim.
Disse convicta diante do espelho:
"Só vou gostar de quem gosta de mim"

Resolveu dar chance ao pequeno Gabriel.
Que anos atrás se declarara para a menina.
Foi andando devagar ao lar do garoto.
Que morava na casa da esquina.

Chegando lá, a mãe do menino estava tensa.
E contou à Julia o que havia acontecido.
Ambas, então, se derrubaram no choro.
Ao lembrar que ele não fora socorrido.

Os pais acharam o menino em seu quarto.
Coberto de sangue e de caneta na mão.
Na letra bonita que o menino tinha.
Continha todo o sofrimento do coração.

No papel branco manchado de vermelho.
O menino contou do seu sofrimento.
Eram poucas as linhas que tinha azul de tinta.
Mas eram fortes como o cimento.

"Mostrem meu coração à Julia.
O mesmo coração que ela tanto recusou.
Não a desejo nenhum tipo de mal.
E nem a blusa que ela nunca usou.

Ela um dia verá como é ruim ser rejeitado.
Pela pessoa por quem daria a vida.
Espero que ela veja o que fez.
Agora que peguei o caminho de ida.

Mamãe, não deixe que Julia sofra.
Na mão daquele boyzinho covarde.
Apenas mostre esta carta a ela.
Para saber quem a amava de verdade."

Uppers

Toda coisa em minha vista está parada.
E pra melhorar não uso nenhum artifício.
Machuca, como se fosse uma pedrada.
E a vida tem sido um total desperdício.

Da minha mãe eu levei uma facada.
Quando o presidente fazia o comício.
Vivi metade duma vida toda errada.
Sem ter, da alegria, o indício.

terça-feira, 6 de março de 2012

Nada mudou, nada muda.

Destroi por dentro essa falta de comunicação.
E já não sei qual é o jeito certo de me comportar.
Mesmo depois de toda essa correria no coração.
Tornarei a ficar quieto e fingir não me importar.

Vivo muito ruim tal qual um cachorro sem ração.
Chega a ser irritante como gosto dessa dor portar.
Não fui feito para viver num meio cheio de ação.
E todo o peso dessa menina já não posso suportar.

Mas o que acontece mesmo é a mesma reação.
Você nem vai me perceber e com outro vai estar...

... Acabou a rima. É isso mesmo. Apenas isso.

De você, Baixinha.

Eu tenho tanta saudades de conversar com você. Isso não tem porquê. É só saudade. Da sua voz, do seu cheiro e cabelo. Do jeito enrolado de falar algumas coisas, de como ficava sem graça quando dizia meu nome. De como me perguntava se tal palavra existia ou a pronúncia estava certa. Saudade de como você insistia em me corrigir mesmo a errada ser você.

Saudade de conversar baixinho no escuro. De escutar música baixinho.

Saudades de você, Baixinha!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Funny how she looked pretty that night

Vocês sabem como é se sentir deixado de lado?
Desse jeito parece que só me importa o meu umbigo.
Mas eu sinto tanto que deixo todo mundo cansado.
E que ninguém mais quer conversar comigo.

Vocês sabem como é sentir um frio tenso?
É o frio de quando você percebe que está sozinho.
Rodeado de pessoas eu ainda me penso:
Será que é assim mesmo ou vou achar um amorzinho?

Vocês sabem como é chorar a madrugada toda?
Repetir às paredes que você não vale nada.
Eu deveria repetir e dizer pra que se foda.
Mas era como se minha cabeça estivesse sendo amassada.

Vocês não sabem como eu me sinto desse jeito.
Estando sempre rodeado de muita gente.
É algo secreto que nunca sairá do meu peito.
Mas que se saísse me deixaria muito contente.

Volto a dizer que eu me odeio de vez em quando.
Mas os dias de novembro, nada de mal têm.
Pelo dia que serei feliz eu fico aguardando.
E percebo que odeio ser eu nuns dias de março, também.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Senhora, eu sonhei com sua filha!

Na manhã de domingo não acordara mal.
Pois na noite passada sonhara com outro rosto.
Um rosto que nunca vira com ou sem sal.
E que do beijo nunca sentira o gosto.

O domingo amanheceu amarelo.
Parecia a areia duma ilha.
Escrevendo essas linhas, revelo:
Senhora, eu sonhei com sua filha!

Ela usava um lindo vestido verde.
E na orelha levava uma flor.
Esse seu jeito me deixava com sede.
E, por dentro, só florescia amor.

Nunca consigo mudar meu jeito.
Mesmo no sonho, de nervos estava uma pilha.
Isso tudo que tiro do peito.
É pra dizer à senhora que sonhei com sua filha!

Sentamos embaixo dum chorão.
Trocamos boas e longas risadas.
Cheguei a imaginar a vida que os filhos terão.
E nossas iniciais na árvore marcadas.

Pode achar que estou ficando louco.
Mas acho que quero entrar pra sua família.
Nessa manhã de domingo acordei rouco.
Porque, senhora, eu sonhei com sua filha!

Os melhores momentos de minha vida.
Foram vividos nesse curto sonho.
Que não teve nada a ver com dona Cida.
E nem com meu amigo Tonho.

Corremos tanto e tão alegres na grama.
Que nessa manhã acordei com dor na virilha.
Nisso tudo eu não procuro fama.
Porque a noite inteira, minha senhora,
eu sonhei com tua bela filha!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aparece, Deus!

Tenho pena dos meus pais de vez em quando. Ter um filho desequilibrado feito eu deve mesmo ser um fardo enorme.

Queria que Deus, em toda sua grandeza e supremacia, desse cabo dessa alma horrenda que me habita... Quem sabe meus pais teriam paz e pudessem até se mudarem para Telêmaco Borba outra vez, lugar qual não lhes traz problemas ou lágrimas, já que isso é por minha conta.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não quero nem colocar título nestas linhas porque a vida me magoou muito forte esta tarde

No alto do seu salto você olha pra baixo e diz:
"Quando que eu iria conversar com esse pobre coitado?"
Eu, então, imagino coisas piores desse jeito.
E aprendo como é horrível achar que está sendo evitado.

Talvez isso tudo não passe de coincidência.
Ou, talvez, eu esteja certo sobre isso tudo.
Quero estar errado e perceber que não é nada.
Porque me sentir assim está derrubando meu mundo.

Eu queria

Eu queria poder sorrir agora.
Só que eu me sinto tão sozinho.

Eu queria poder fazer algo.
Só que eu me sinto tão cansado.

Tudo isso poderia ser trocado por alegria.
Só que a vida é um grande casulo que te prende pra sempre num emaranhado de lixo.

Nada do que você faça estará bom o bastante para outras pessoas.
Quando você precisar de alguém, estará sozinho. É bom lembrar disso.

Talvez eu só esteja falando essas coisas por estar magoado.
Mas quando que a vida me magoa e sou forçado a esconder o que sinto de verdade?
Quem liga, afinal?

Eu queria morrer agora.
Só que amanhã cedo eu preciso acordar pra reclamar de outro dia que Deus insiste em colocar na minha vida.

Ao invés de colocar você na minha vida (do jeito que eu quero), ele coloca outro dia.
Por que mais um dia sem você?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A montanha, o homem, o pássaro e o leão-marinho

A montanha que foi até onde precisara.
Voltou de lá sem o que buscara.
A triste montanha, então, desabara.
Sem ter nenhum pingo de vergonha na cara.

O passarinho que em sua casa agonizava.
Voou ao longe sem saber o que buscava.
Encontrara na montanha que desabava.
Todo o calor e amizade que precisava.

A montanha reergueu-se para falar com o passarinho.
Os dois viraram amigos de carne e muito carinho.
Partilhavam da grama e do carneirinho.
E ambos achavam lindo o pobre leão-marinho.

Da água, o leãozinho é o bicho que mais reclama.
Porque dormir em água é chato, ele quer cama.
Porque viver no fundo é chato, ele quer fama.
Porque brincar na onda é chato, ele quer grama.

Então a montanha se molhou com ajuda do pequenino.
A grama ficou molhada para alegria do marinho-felino.
Ele brincava na grama e nadava feito menino.
E quando ficava cansado ia na busca de pepino.

Enquanto os três estavam muito felizes.
Ao longe avistaram algo que não os fizeram bem.
Era a desgraça do homem branco.
Fazendo os cavalos de refém.

Eles vieram sentados nos animais.
Como se eles fossem algo sem vida.
O passarinho entristeceu e se foi.
Tomou o rumo só de ida.

Até que um dos homens caiu na real.
Virou para os outros e falou com o bigode.
"Como podemos ser assim tão maus?
Como conseguimos? Como é que pode?"

Então o homem pegou sua espingarda.
E matou quatro dos amigos, sem medo.
Deixando apenas um deles vivo.
Para que pudesse contar um segredo.

"Caro amigo, veja a desgraça que somos.
Somos a pior coisa que há na Terra.
Quero lhe confessar uma coisa.
Antes que com a montanha façamos guerra.

Sempre achei você interessante.
Mas, bem, nosso povo é intolerante.
De nossa natureza nojenta e errante.
Em meio à bondade da montanha.
À simplicidade do leão-marinho.
Contarei a você uma coisa tocante."

O homem de cabelos longos segurou a mão do amigo.
E disse que ele sempre foi o amor de sua vida.
O outro homem, então, deixou cair a lágrima.
Por ter-se agora estancado a ferida.

Com o barulho dos tiros voltou correndo.
Nosso amigo passarinho que tinha ido embora.
Não pôde acreditar naquilo que via.
E percebeu que o mundo era melhor agora.

Os dois homens viveram junto da montanha.
E numa das árvores ficava o passarinho.
Fez-se ali por perto um grande lago azul.
Onde dormia o querido leão-marinho.

Os homens viviam felizes lá.
Longe de toda intolerância.
Repetiam para sempre ao sol se pondo.
Que o forte do ser humano.
Sempre foi a ignorância.

Hoje sabem que vivendo assim.
Estão felizes, não precisam de nada.
Mas quantas histórias existem por aí
Com o mesmo título na fachada?

O amor é o sentimento mais puro.
Que qualquer animal possa sentir.
Portanto não tenha medo de amar.
E nunca se prive de sorrir.

Post #620

Às vezes eu sou chato como a crase.
E meu corpo é todo insensatez.
É ouvindo sua voz repetindo uma frase.
Que abaixo a cabeça e choro outra vez.

Queria ter o tanto certo de coragem.
Mas só consigo enxergar maldade.
Sou como carro velho na garagem.
Com medo de andar nas ruas da cidade.

O que me falta nisso tudo é sua presença.
É você me dando o apoio que preciso.
Mas parece que tudo que desejo é ofensa.
E de você só o que quero é um sorriso.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Flor de bolso

Terá sido um passo em falso
Um resto de carinho
ou uma queda alta?
Não interessa.
Só espero que de ti
eu não sinta nenhuma falta.

Será que consigo
ou desistirei novamente?
Descubra nessa ferida
no capítulo dessa novela tosca
e delinquente
chamada "Minha vida".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vai se acabar

Vocês todos me fazem querer perder a cabeça, não do jeito bom, do jeito ruim.
A maioria das coisas que vocês vomitam nos meus olhos me deixa arrependido de ter saído da barriga da minha mãe.
Vocês costumam ser a prova de que, se o homem é a imagem e semelhança de Deus, Deus é um cara muito idiota também.

Seus bosta!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sou gota

Sou uma gota de chuva
que corre o vidro do carro.
Que se perde em meio às outras.
Que respinga e cai no barro.

Sou uma gota de chuva
que cai no rosto da moça.
Que se perde em meio às outras.
Que respinga e lava a louça.

Sou uma gota de chuva
que vai no rosto do rapaz.
Que se perde em meio às outras.
Que na imensidão azul, jaz.

Sou uma gota de chuva
que refresca a pobre flor.
Que se perde em meio às outras.
E que faz florecer o amor.

Sou uma gota de chuva
Que faz a moça refrescar.
Que refresca também o rapaz.
Que brota o amor em seus corações.
Que faz-se nascer a paz.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ternura

Você é parte do meu presente, não passado.
E nem sabe o bem que me faz, assim.
Fechando os olhos consigo estar ao seu lado.
E isso é muito triste para mim.

Carrego você nos braços e na boca.
E você só se abre e sorri-se inteira.
Sabemos que tudo nessa vida louca.
Não passa de uma breve besteira.

Essa tolice eu quero com você viver.
E no verde do mar segurar a sua mão.
Ouvir você reclamar no banco do inter.
De como está gorda e que odeia o verão.

No barigui passear de mãos dadas no sol.
Enquanto te xingo e ganho uma braçada.
A gente vai ver os boy jogando futebol.
E as crianças de skate na calçada.

O calor vai rachar muito nossa cuca.
E então algo gelado a gente vai comprar.
Eu, de patife, vou derramar em sua nuca.
Só pra te ver brava e comigo reclamar.

Quando for para nós irmos pra casa.
Nas costas é onde lhe carregarei.
Porque você sussurrar na minha asa.
É a coisa que eu mais esperei.

Vou amar toda vez que você me socar.
E quando ficar brava comigo pelo meu erro.
E quando comigo você não quiser conversar.
Vou me odiar e entrar em desespero.

Ainda assim, farei o seu cafezinho.
E margarina vou passar no seu pão.
Te levo tudo até seu pezinho.
E de leve eu deitarei, coração.

Na minha vitrola eu colocarei Belchior.
Que você não gosta, a não ser de "Passeio".
Você vai reclamar e pedir algo melhor.
Eu vou recusar e me chamará de feio.

Nós vamos dormir no quarto, no chão.
Só nós dois com os cabelos laçados.
Tiraremos até foto de nós no colchão.
Enquanto nós dormirmos abraçados.

Prometo cuidar de você a toda hora.
Chamar você para deitar ao meu lado.
Por favor, minha querida, não vá embora.
Deixa esse gordo ser o seu namorado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mesfa

Me esfaqueia, cara!
Eu não tô aguentando mais.
É muita pressão pruma cabeça só.
Não dá pra pensar pelos outros seis.

Me esfaqueia logo, cara!
Tô sufocado. Não aguento mais.
É muita cobrança pruma alma só.
Não dá pra ser amigo de todos os seis.

Me esfaqueia! Me esfaqueia!
Acaba com toda a pressão.
Acaba com toda a cobrança.
Seja meu heroi, meu rei.
Acaba com isso. Acaba comigo.
Vai, cara! Me esfaqueia!

Essa cabeça tá explodindo, cara.
Vai ser melhor. Vai, cara.
Esvazia essa bexiga.
Corta essa árvore.
Afoga esse cadáver.
Amarra agora, cara. Vai.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Referve-lhe a vida

Ninguém que lê o que é escrito aqui sabe como me faz falta um outro cabelo pra pentear. Não há sentido neu reclamar disso porque se eu quisesse ser menos idiota, eu conseguiria, mas não dá. Eu não consigo me livrar da minha pele muda. Queria mudar. Queria não ser eu às vezes. Noutro texto disse que gostaria de viver o efêmero, mas, não conheço ninguém por quem me interesse. Noutro texto disse que queria não ser eu às vezes. Eu sou chato demais.

Gosto muito do meu jeito, gosto muito de mim hoje em dia, mesmo ainda não me achando bonito, o que me estraga é essa minha invisibilidade. Deveria ser menos inseguro...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bluewaffle

A coisa podre só cresce nesta nação.
A pedra que acertara o meu olho.
Sei muito bem de onde veio.
O que não enxergo é a razão.

Depois que baixar toda a poeira.
No peito do menino é onde doerá.
E, também, na cabeça.
Depois de tomar outra rasteira.

Quantos mais irá enganar?
Passeando de mãos dadas.
Com as costas abraçadas.
Que só fingem se amar?

Cê não merece o amor de ninguém.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Menina

Tenho me sentido como pescador com sereia.
Onde há um lindo canto que agora me fascina.
Só que ao invés de canto, isso é o rosto.
Daquela bela e, ainda jovem, menina.

Nunca terei a façanha de chegar perto.
Porque isso ela nem imagina.
E pensar que o que separa eu dela.
É pouca coisa, é uma esquina.

Se eu pudesse dizer estar viciado.
Chamaria-te de heroína.
Porque, de certa forma, és viciante.
Com esse teu rosto de menina.

Segurar tua mão agora é o desejo.
Tua mão fria que é quente de cafeína.
Do teu cabelo eu tenho saudade.
Minha doce e bela menina.

Queria ter o dom da voz.
Que a boca ostenta sempre.
Pra poder abraçar o teu braço.
Pra poder deitar em teu ventre.

Queria que pudesses ouvir.
O meu suspiro dizer que te ama.
Porque é lendo esse meu rosto.
Que percebes como te chama.

Nunca nos vimos, de fato.
Mas tu serás a minha sina.
Porque nunca vi igual a tu.
Algo tão lindo, menina!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Garoa de maçã

A parte legal foi eu comer uma maçã enquanto voltava pra casa.
Eu também tomei garoa na volta enquanto ouvia música.
Aquilo tava lindo porque não tava tão quente e tinha maçã e música.
Mas na altura que eu tava tomando a garoa já não tinha maçã.

O gosto ficou na boca enquanto eu voltava, o de maçã, não de garoa.
A garoa eu sentia o gosto porque caía forte no meu rosto.
Se eu juntasse música com maçã e garoa na mesma hora ali.
A minha vida poderia ter acabado porque eu morreria feliz.

Toda vez que eu mordia a maçã saía um caldinho que se confundia com um suco.
Talvez fosse uma chuva de suquinho de maçã que saía dali de dentro.
Agora, ocorreu-me que, se o mundo fosse uma grande maçã vermelha.
Toda vez que chovesse, ia chover suquinho de maçã.
Tipo a maçã que eu comia enquanto voltava ouvindo música na garoa.

Se isso se tornasse real um dia, o mundo deixaria de ser ruim.
Acabaria se transformando em algo bom e saudável - uma maçã.
As pessoas sairiam todas de casa para se molharem quando chovesse.
E voltariam cheirosinhas comendo maçã enquanto ouviam música.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Vazio corroi, sufoca e desanima

Quando acontece muita coisa errada seguidamente na minha vida, eu logo penso em correr para os braços da menina que me ama (que é quem eu amo também), só que ela costuma não aparecer (ou existir). Essa vontade vem porque é uma forma de eu me sentir seguro e confortável, de entender que nem sempre as coisas ocorrem como eu queria. É uma forma de eu perceber que depois de tanto lixo jogado na minha cabeça, terá sempre alguém pra me abraçar e dizer, novamente, que tudo vai ficar bem. Escrevendo isso, fico parecendo muito ingrato aos amigos que tenho, que também estão acostumados e me levantar do chão quando recebo um golpe forte. O que acontece é que eu também sinto falta de uma pessoa para quem eu possa fazer todas as outras coisas que tenho em mente ou escritas em papel. Serei eternamente grato ao amigos, mas há coisas que eles não podem fazer. Se me sinto muito sozinho às vezes, não é por falta de amigo, é por falta da outra metade.