domingo, 26 de fevereiro de 2012

Senhora, eu sonhei com sua filha!

Na manhã de domingo não acordara mal.
Pois na noite passada sonhara com outro rosto.
Um rosto que nunca vira com ou sem sal.
E que do beijo nunca sentira o gosto.

O domingo amanheceu amarelo.
Parecia a areia duma ilha.
Escrevendo essas linhas, revelo:
Senhora, eu sonhei com sua filha!

Ela usava um lindo vestido verde.
E na orelha levava uma flor.
Esse seu jeito me deixava com sede.
E, por dentro, só florescia amor.

Nunca consigo mudar meu jeito.
Mesmo no sonho, de nervos estava uma pilha.
Isso tudo que tiro do peito.
É pra dizer à senhora que sonhei com sua filha!

Sentamos embaixo dum chorão.
Trocamos boas e longas risadas.
Cheguei a imaginar a vida que os filhos terão.
E nossas iniciais na árvore marcadas.

Pode achar que estou ficando louco.
Mas acho que quero entrar pra sua família.
Nessa manhã de domingo acordei rouco.
Porque, senhora, eu sonhei com sua filha!

Os melhores momentos de minha vida.
Foram vividos nesse curto sonho.
Que não teve nada a ver com dona Cida.
E nem com meu amigo Tonho.

Corremos tanto e tão alegres na grama.
Que nessa manhã acordei com dor na virilha.
Nisso tudo eu não procuro fama.
Porque a noite inteira, minha senhora,
eu sonhei com tua bela filha!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aparece, Deus!

Tenho pena dos meus pais de vez em quando. Ter um filho desequilibrado feito eu deve mesmo ser um fardo enorme.

Queria que Deus, em toda sua grandeza e supremacia, desse cabo dessa alma horrenda que me habita... Quem sabe meus pais teriam paz e pudessem até se mudarem para Telêmaco Borba outra vez, lugar qual não lhes traz problemas ou lágrimas, já que isso é por minha conta.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não quero nem colocar título nestas linhas porque a vida me magoou muito forte esta tarde

No alto do seu salto você olha pra baixo e diz:
"Quando que eu iria conversar com esse pobre coitado?"
Eu, então, imagino coisas piores desse jeito.
E aprendo como é horrível achar que está sendo evitado.

Talvez isso tudo não passe de coincidência.
Ou, talvez, eu esteja certo sobre isso tudo.
Quero estar errado e perceber que não é nada.
Porque me sentir assim está derrubando meu mundo.

Eu queria

Eu queria poder sorrir agora.
Só que eu me sinto tão sozinho.

Eu queria poder fazer algo.
Só que eu me sinto tão cansado.

Tudo isso poderia ser trocado por alegria.
Só que a vida é um grande casulo que te prende pra sempre num emaranhado de lixo.

Nada do que você faça estará bom o bastante para outras pessoas.
Quando você precisar de alguém, estará sozinho. É bom lembrar disso.

Talvez eu só esteja falando essas coisas por estar magoado.
Mas quando que a vida me magoa e sou forçado a esconder o que sinto de verdade?
Quem liga, afinal?

Eu queria morrer agora.
Só que amanhã cedo eu preciso acordar pra reclamar de outro dia que Deus insiste em colocar na minha vida.

Ao invés de colocar você na minha vida (do jeito que eu quero), ele coloca outro dia.
Por que mais um dia sem você?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A montanha, o homem, o pássaro e o leão-marinho

A montanha que foi até onde precisara.
Voltou de lá sem o que buscara.
A triste montanha, então, desabara.
Sem ter nenhum pingo de vergonha na cara.

O passarinho que em sua casa agonizava.
Voou ao longe sem saber o que buscava.
Encontrara na montanha que desabava.
Todo o calor e amizade que precisava.

A montanha reergueu-se para falar com o passarinho.
Os dois viraram amigos de carne e muito carinho.
Partilhavam da grama e do carneirinho.
E ambos achavam lindo o pobre leão-marinho.

Da água, o leãozinho é o bicho que mais reclama.
Porque dormir em água é chato, ele quer cama.
Porque viver no fundo é chato, ele quer fama.
Porque brincar na onda é chato, ele quer grama.

Então a montanha se molhou com ajuda do pequenino.
A grama ficou molhada para alegria do marinho-felino.
Ele brincava na grama e nadava feito menino.
E quando ficava cansado ia na busca de pepino.

Enquanto os três estavam muito felizes.
Ao longe avistaram algo que não os fizeram bem.
Era a desgraça do homem branco.
Fazendo os cavalos de refém.

Eles vieram sentados nos animais.
Como se eles fossem algo sem vida.
O passarinho entristeceu e se foi.
Tomou o rumo só de ida.

Até que um dos homens caiu na real.
Virou para os outros e falou com o bigode.
"Como podemos ser assim tão maus?
Como conseguimos? Como é que pode?"

Então o homem pegou sua espingarda.
E matou quatro dos amigos, sem medo.
Deixando apenas um deles vivo.
Para que pudesse contar um segredo.

"Caro amigo, veja a desgraça que somos.
Somos a pior coisa que há na Terra.
Quero lhe confessar uma coisa.
Antes que com a montanha façamos guerra.

Sempre achei você interessante.
Mas, bem, nosso povo é intolerante.
De nossa natureza nojenta e errante.
Em meio à bondade da montanha.
À simplicidade do leão-marinho.
Contarei a você uma coisa tocante."

O homem de cabelos longos segurou a mão do amigo.
E disse que ele sempre foi o amor de sua vida.
O outro homem, então, deixou cair a lágrima.
Por ter-se agora estancado a ferida.

Com o barulho dos tiros voltou correndo.
Nosso amigo passarinho que tinha ido embora.
Não pôde acreditar naquilo que via.
E percebeu que o mundo era melhor agora.

Os dois homens viveram junto da montanha.
E numa das árvores ficava o passarinho.
Fez-se ali por perto um grande lago azul.
Onde dormia o querido leão-marinho.

Os homens viviam felizes lá.
Longe de toda intolerância.
Repetiam para sempre ao sol se pondo.
Que o forte do ser humano.
Sempre foi a ignorância.

Hoje sabem que vivendo assim.
Estão felizes, não precisam de nada.
Mas quantas histórias existem por aí
Com o mesmo título na fachada?

O amor é o sentimento mais puro.
Que qualquer animal possa sentir.
Portanto não tenha medo de amar.
E nunca se prive de sorrir.

Post #620

Às vezes eu sou chato como a crase.
E meu corpo é todo insensatez.
É ouvindo sua voz repetindo uma frase.
Que abaixo a cabeça e choro outra vez.

Queria ter o tanto certo de coragem.
Mas só consigo enxergar maldade.
Sou como carro velho na garagem.
Com medo de andar nas ruas da cidade.

O que me falta nisso tudo é sua presença.
É você me dando o apoio que preciso.
Mas parece que tudo que desejo é ofensa.
E de você só o que quero é um sorriso.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Flor de bolso

Terá sido um passo em falso
Um resto de carinho
ou uma queda alta?
Não interessa.
Só espero que de ti
eu não sinta nenhuma falta.

Será que consigo
ou desistirei novamente?
Descubra nessa ferida
no capítulo dessa novela tosca
e delinquente
chamada "Minha vida".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vai se acabar

Vocês todos me fazem querer perder a cabeça, não do jeito bom, do jeito ruim.
A maioria das coisas que vocês vomitam nos meus olhos me deixa arrependido de ter saído da barriga da minha mãe.
Vocês costumam ser a prova de que, se o homem é a imagem e semelhança de Deus, Deus é um cara muito idiota também.

Seus bosta!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sou gota

Sou uma gota de chuva
que corre o vidro do carro.
Que se perde em meio às outras.
Que respinga e cai no barro.

Sou uma gota de chuva
que cai no rosto da moça.
Que se perde em meio às outras.
Que respinga e lava a louça.

Sou uma gota de chuva
que vai no rosto do rapaz.
Que se perde em meio às outras.
Que na imensidão azul, jaz.

Sou uma gota de chuva
que refresca a pobre flor.
Que se perde em meio às outras.
E que faz florecer o amor.

Sou uma gota de chuva
Que faz a moça refrescar.
Que refresca também o rapaz.
Que brota o amor em seus corações.
Que faz-se nascer a paz.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ternura

Você é parte do meu presente, não passado.
E nem sabe o bem que me faz, assim.
Fechando os olhos consigo estar ao seu lado.
E isso é muito triste para mim.

Carrego você nos braços e na boca.
E você só se abre e sorri-se inteira.
Sabemos que tudo nessa vida louca.
Não passa de uma breve besteira.

Essa tolice eu quero com você viver.
E no verde do mar segurar a sua mão.
Ouvir você reclamar no banco do inter.
De como está gorda e que odeia o verão.

No barigui passear de mãos dadas no sol.
Enquanto te xingo e ganho uma braçada.
A gente vai ver os boy jogando futebol.
E as crianças de skate na calçada.

O calor vai rachar muito nossa cuca.
E então algo gelado a gente vai comprar.
Eu, de patife, vou derramar em sua nuca.
Só pra te ver brava e comigo reclamar.

Quando for para nós irmos pra casa.
Nas costas é onde lhe carregarei.
Porque você sussurrar na minha asa.
É a coisa que eu mais esperei.

Vou amar toda vez que você me socar.
E quando ficar brava comigo pelo meu erro.
E quando comigo você não quiser conversar.
Vou me odiar e entrar em desespero.

Ainda assim, farei o seu cafezinho.
E margarina vou passar no seu pão.
Te levo tudo até seu pezinho.
E de leve eu deitarei, coração.

Na minha vitrola eu colocarei Belchior.
Que você não gosta, a não ser de "Passeio".
Você vai reclamar e pedir algo melhor.
Eu vou recusar e me chamará de feio.

Nós vamos dormir no quarto, no chão.
Só nós dois com os cabelos laçados.
Tiraremos até foto de nós no colchão.
Enquanto nós dormirmos abraçados.

Prometo cuidar de você a toda hora.
Chamar você para deitar ao meu lado.
Por favor, minha querida, não vá embora.
Deixa esse gordo ser o seu namorado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mesfa

Me esfaqueia, cara!
Eu não tô aguentando mais.
É muita pressão pruma cabeça só.
Não dá pra pensar pelos outros seis.

Me esfaqueia logo, cara!
Tô sufocado. Não aguento mais.
É muita cobrança pruma alma só.
Não dá pra ser amigo de todos os seis.

Me esfaqueia! Me esfaqueia!
Acaba com toda a pressão.
Acaba com toda a cobrança.
Seja meu heroi, meu rei.
Acaba com isso. Acaba comigo.
Vai, cara! Me esfaqueia!

Essa cabeça tá explodindo, cara.
Vai ser melhor. Vai, cara.
Esvazia essa bexiga.
Corta essa árvore.
Afoga esse cadáver.
Amarra agora, cara. Vai.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Referve-lhe a vida

Ninguém que lê o que é escrito aqui sabe como me faz falta um outro cabelo pra pentear. Não há sentido neu reclamar disso porque se eu quisesse ser menos idiota, eu conseguiria, mas não dá. Eu não consigo me livrar da minha pele muda. Queria mudar. Queria não ser eu às vezes. Noutro texto disse que gostaria de viver o efêmero, mas, não conheço ninguém por quem me interesse. Noutro texto disse que queria não ser eu às vezes. Eu sou chato demais.

Gosto muito do meu jeito, gosto muito de mim hoje em dia, mesmo ainda não me achando bonito, o que me estraga é essa minha invisibilidade. Deveria ser menos inseguro...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bluewaffle

A coisa podre só cresce nesta nação.
A pedra que acertara o meu olho.
Sei muito bem de onde veio.
O que não enxergo é a razão.

Depois que baixar toda a poeira.
No peito do menino é onde doerá.
E, também, na cabeça.
Depois de tomar outra rasteira.

Quantos mais irá enganar?
Passeando de mãos dadas.
Com as costas abraçadas.
Que só fingem se amar?

Cê não merece o amor de ninguém.