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sábado, 12 de junho de 2010

Post #139

Imaginei-nos em um campo.
Com paisagens floridas.
Roubaria um carro por você.
Ou um bilhão de margaridas.

Imaginei-nos deitados no céu.
Olhando as formigas da grama.
Eu te compraria o mundo todo.
O chato é que me falta grana.

Imaginei-nos em um dia de calor.
Em que o "te amo" fez-se lembrete.
Seu narizinho sujei - por amor.
Com o seu delicioso sorvete.

Imaginei-nos nos anos 30.
Em que pra ti fazia serenata.
Mas nisso aí eu era pobre.
E não te dei nem anel de prata.

Imaginei-nos muito ricos.
Sendo rico era infeliz.
Eu era um completo babaca.
E você uma pobre meretriz.

Imaginei-nos juntos na chuva.
A gente estava bem, feito criança.
Eis que estendi a mão à você.
E assim começamos uma dança.

Imaginei-nos sorrindo hoje.
Em pleno dia dos namorados.
Onde tudo o que fizemos.
Foi ficarmos abraçados.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Post #124

Cai uma folha seca ao meu pé.
Pego-a e a olho bem.
Coloquei-a no meio de um livro.
Pois precisa de calor também.

Chegando no centro do parque.
Meus fones me fazem ausente.
No mundo eles são os únicos.
Que hoje me deixam contente.

Viajo sentado num banco.
Sem ouvir um terrestre falar.
Permaneço de olhos fechados.
Até a música acabar.

Não quero falar como estou.
Ou o quão batido está o coração.
Pois, quando uso fones de ouvido.
Disfarço totalmente a solidão.

Faz muito frio hoje no parque.
O termômetro beira os quatro.
Sabia que devia ter saído de casa.
Com pelo menos mais um casaco.

O café que seguro na mão.
É mais eficaz do que a luva.
O céu, por sua vez, é agora cinza.
E pelo jeito, por aí vem chuva.

Me sinto triste assim sozinho.
E só o frio me acompanha.
Tenho momentos de felicidade. (curtos, mas tenho)
Acho essa, uma coisa estranha.

Tirando o fone dos ouvidos.
É que minha tristeza explode.
Eu não preciso de pessoas.
Pois eu tenho meu iPod.
(quite ironic)

E é por isso que eu fico assim.
Aqui no banco da praça sentado.
Tenho barba e feias olheiras.
E vivo aqui sempre calado.
As pessoas me olham com pavor.
E eu me sinto embasbacado.
Mas eu só queria ter alguém.
Para sentar ao meu lado.

sábado, 29 de maio de 2010

Post #121 (#118 Pt. IV)

Passamos trinta anos como casal.
Cada dia vivido com alegria.
De mim cuidava quando ficava doente.
E eu amenizava sua alergia.

Eu fazia de tudo para agradar.
Levava até café na cama.
Ela falava de mim para as amigas.
"Bom-Marido" era minha fama.

Tantos anos lado a lado.
Tanta coisa nas lembranças.
Esse nosso amor recíproco.
Gerou até duas crianças.

Um era masculino.
E a outra bem feminina.
Elliott - o nome do menino.
Beatriz - o nome da menina.

Quando tinhamos sessenta anos.
A idade chegou depressa.
E de lembrar dos bons momentos.
O meu rosto a lágrima atravessa.

A gente até dividia tarefas.
Quando já éramos idosos.
Ela continuava linda.
E seus cabelos cheirosos.

Até que um dia, a vida mudou.
Lembro-me de mim numa maca.
De dor, foi que Sofia chorou.
No seu coração havia uma estaca.

Estava eu à beira do penhasco.
No fim da vida, literalmente.
No seus lindos e castanhos olhos.
A tristeza era evidente.

Não aguentou ver seu amado assim.
Não podia fazer nada parado.
E como a vida que passamos, por fim.
Morremos também, lado a lado.


Post #120 (#118 Pt. III)

Começamos então a sair.
E eu já me via envolvido.
Minha imaginação me fazia.
De Sofia seu marido.

A cada hora que passava.
As palavras iam me escapando.
Quase chorei quando ela me disse.
Que de mim estava gostando.

Saímos por algumas semanas.
A vida valeu cada passeio.
Ela me contava muitos segredos.
Recheados de anseio.

Nunca havia encontrado um amor.
Pôs em mim toda a esperança.
Me cobria sempre de elogios.
Beijos, carinho e confiança.

Passamos tardes inteiras felizes.
Parecia que me sentia voar.
E depois de tanto tempo juntos.
Pedi para com ela casar.

Nunca contei-a sobre minha vida.
Nunca vi muitos motivos.
Minha vida começou mesmo com ela.
Com amizade e muitos risos.


-continua...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Post #119 (#118 Pt. II)

Ela entrou sem ter percebido.
Que seu bilhete estava no chão.
Com aquele papel caído.
Fui ali meio escondido.
E coloquei-o no saco de pão.

Subi pra casa e comecei a fazer.
Alguns planos para com ela falar.
Estou na espera do amanhecer.
Dormi sem querer na sala de estar.

Outro dia começou.
E eu estava determinado.
Eu nunca conheci alguém.
Por quem estive apaixonado.

Não sei qual é a sensação.
De realmente gostar de alguém.
Essa moça mexeu comigo.
E que sorriso foi aquele?
É como o de ninguém.

Encontrei-a na rua.
Seu nome tive que perguntar.
Sofia - então me disse.
Aí então, meu faltou o ar.

Um tamanho de um homem feito.
Com vergonha de uma guria.
Para essas coisas sou um leigo.
Sem uma ao meu lado.
Não sei o que é alegria.

Sofia sempre foi o nome.
Que mais gostei a vida inteira.
Depois de um tempo com ela.
Percebi que até hoje,
Ninguém me tratou dessa maneira


-continua...



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Post #118

Chego em casa cansado.
Sento-me no meu sofá.
Caminho até a cozinha.
Para esquentar meu chá.

A tarde hoje é cinza.
E frio eu sinto de monte.
Da minha janela vejo pessoas.
Policiais, bebês e uma fonte.

Meu gato que ronrona pela casa.
É a única companhia que tenho.
Sinto vontade de socializar.
Mas ah.. É muito empenho.

Sento-me à mesa mais tarde.
E à esmo umas rimas escrevo.
Quando volto para a vida real.
Sozinho estou - então percebo.

Vou ao quarto e pego um casaco.
Pois hoje na rua o vento e vida são gelados.
Fico triste sempre que vejo.
Um belo casal de namorados.

Enquanto subo as escadas de casa.
Noto uma bela moça a me olhar.
Nessa hora meu coração disparou.
E do nada, a mão tive que acenar.

Ela sorriu e entrou na sua casa.
Deixando um bilhete do bolso cair.
O que farei para falar com ela?
Será que é ela quem me fará sorrir?

Subirei com o segredo aos meu aposentos.
Amanhã bem cedinho vejo o que farei.
Essa noite eu quero ser otimista...
...E não imaginar que falharei.

-continua...


terça-feira, 25 de maio de 2010

Post #115

Foi numa bela tarde quente.
Que eu saí sem direção.
Nas costas levo uma mochila.
E nos meus braços um violão.

Uma canetinha em meu bolso.
Para deixar sempre minha marca.
Cada um com a história parecida.
Subia sempre na minha barca.

Passei muito frio nas noites.
Me fodi bastante na estrada.
Meu coração era como meu destino.
Virado num completo nada.

Meus pés doíam constantemente.
A cada passo que eu dava, sangravam.
E as feridas que trouxe da cidade.
Inquietante, ainda respiravam.

Meu real sonho era ir pra Europa.
E não ficar perdido no meio do sertão.
Mas nasci pobre e vivo mal.
Sem dinheiro para pegar um avião.

Em minha carteira achei um centavo.
Consegui comprar uma ficha pro telefone.
Sol escaldante - sinto muita sede.
E de tanto andar, morro de fome.

Tomei chuva no meio da estrada.
Meu violão ficou muito molhado.
Meu coração que já estava vazio.
Agora está todo encharcado.
Sentindo o arrependimento nas costas.
Parece até que está parado.

Num dia esquecido de novembro.
Na estrada uma moça encontrei.
Com apenas um olhar trocado.
E à coitada nem um sorriso esbocei.

Sentia falta dos meus amigos.
E de todos os dias de calor.
Não há afeto maior nessa vida.
Do que do amigo, o sincero amor.


sábado, 24 de outubro de 2009

Post #30

Conheci-te em um momento inusitado.
Percebi tão cedo que te queria para mim.
Foi-se tão rápido e fiquei amargurado.
Descobri ali um amor longo e sem fim.

Bela estranha, quem és tu que me cativou?
Onde encontrarei sua imagem novamente?
Bastou um sorriso. Pronto, me conquistou.
Sentirei-me relevante e feliz, certamente!

Que força será essa que me consome?
Nada estranho eu só de seu rosto lembrar.
Vendo a tristeza de não saber o teu nome.

Apaixonei-me por alguém feito de vento.
Dói muito não ter a quem amar.
Fico eu acompanhado do meu sofrimento.