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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Post #148

Minha vida vazia brota aonde nada mais cresce.
Grande força estranha que me carrega nos braços.
Minha nuca enche de beijos e me cobre com abraços.
Meu coração - em segundos - vinte anos envelhece.

Tento reviver achando motivo para andar.
Olho para frente com vontade de partir.
Não consigo achar motivo para minha boca sorrir.
Olhando tudo desse lado não me vem vontade de acordar.

Os olhos da amada que não mais me apetecem.
Gosto de pensar que não quero mais a boca dela.
As coisas boas em mim, pensando assim, não crescem.

De amargura com gosto de lágrimas os meus olhos se vestem.
Vou queimar o que me deu. A rosa e a camisa de flanela.
Da cidade sair. Esquecer de você. Viajar. Pegar um trem.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mais um vexame para minha coleção

(...) Era sexta-feira. Noite. Fazia bastante frio e chovia. Ninguém nas ruas, nada se via. O silêncio predominava. Um gole seco com sabor angustiante descia por nossas gargantas. O penar do arrependimento me consumia, era maior que o amor que sentiamos um pelo outro. De hora pra outra, tudo acabou. Fingiu-se acabar. Em mim continuava, na outra, o medo de tornar a amar alguém era visível, mas amava. Tinha medo... Mas amava. Mentia a si mesma dizendo coisas terríveis. Sabia que não era verdade. Sentia o peso de sua lágrima. Carrega consigo uma profunda dor e um coração despedaçado. Chorava. Soluçava. Acaba de ter o mundo jogado ao chão sem ter, ao menos, chances de salvar o que havia restado de si própria.

Sabia eu, que a brincadeira já não tinha mais graça. Quando menos percebi, ajoelhei-me junto a ela e tentei confortar-lhe dizendo palavras agradáveis. De nada adiantou. Estraguei mais uma vida sem querer. Minhas mãos desajeitadas, nem de lenço serviram dessa vez. Desesperei-me. Disse, também, coisas terríveis carregadas de arrependimento. Ao vê-la chorar por minha causa, pensei em me matar. Meu orgulho não recuperara corações partidos e nem rostos infelizes. Sentei-me à cama com as mãos sobre o rosto. Joguei-me ao chão desolado, arrependido. Fiquei frio, quase enlouqueci. Tanto drama de nada adiantou. Perdi quem eu amava.

Antes de sair, arrumou-se com indiferença. Já não havia motivos para se produzir. A única pessoa para quem via sentido em arrumar-se, acabara de rasgar seus vestidos e cubrir-lhe até o pescoço de palavras cheias de hipocondria. Me esqueceu. Me deixou sozinho ao chão. Antes de sair, sua boca, perdida em lágrimas disse-me o mais triste que poderia ouvir em uma vida inteira. Me fiz de idiota à rei em segundos, voltando ao posto mais baixo da vida. Disse chorando, que ainda me amava. Que apesar de tudo, ainda me amava. Por conta da minha futilidade perdi, pra sempre, o melhor abraço do mundo. Ainda chovia e ela disse adeus sem olhar para trás. Minha vida acabou ali.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Post #61

Desse meu sofá eu vejo:
uma criança, um cão e um adulto.
Mas de tudo aquilo que desejo.
Para mim só ficou o vulto.

A chuva molha a minha janela.
E a tempestade cai sobre meu peito.
A chuva cai e lava tudo.
E em morte fico no meu leito.

O cinza abre-se no céu.
O negro fez-se em meu pensamento.
Em momentos de solidão.
Ouço Nelson Sargento.

O cinzento daquele céu.
Já virou comum para mim.
Vejo chegando rápido.
O ínicio do meu fim.

Melancolia desenfreada.
Tornou-se minha companheira.
A minha alegria tão feliz,
cedeu espaço para
a minha tristeza festeira.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Post #55

E então meu dia ficou cinza.
Minha noite assim escureceu.
E a pessoa que um dia me encantou,
Subitamente me esqueceu.

Dia cinza com cara de mal amado.
Será que não tem seu valor reconhecido?
Está triste, do tipo meio pálido.
Achando que sua bela havia aparecido.

Espera sempre por quem não vai chegar.
Acha que assim engana o coração.
Engana-se tendo uma imagem para amar.
Engana-se ainda, se afogando em solidão.


De fato gosto de repetir as palavras nos posts.
Talvez para entender tenha que ler os posts mais antigos. Ou não.