segunda-feira, 28 de junho de 2010

Post #159 (#152 Pt. VIII)

Vocês, caros leitores fieis, já se sentiram bem? Não bem de estar bem, mas um bem supremo que é capaz de pôr você em outro nivel de vida. Já sabem com é estar sendo amado verdadeiramente? Já sabem o que é poder abraçar a pessoa por quem você guarda um amor maior que a simples amizade? Em vinte e oito anos eu não sabia o que era viver essas coisas. Até que eu encontrei ela. Daquele dia em diante, eu comecei a me sentir a pessoa mais feliz do mundo - se já era quando era só amigo, imaginem agora. Finalmente tenho uma motivação para continuar respirando e vivendo no meio dessa cidade cheia de jornais pelas ruas e carros e vão à toda velocidade para lugar nenhum. Eu e Bárbara acabamos ficando mais amigos ainda, só que agora trocávamos beijos, coisa que eu mais queria fazer com alguém quando tinha meus dezessete.
Em uma noite de quarta feira, liguei para ela como de costume para ver como estavam as coisas, como tinha sido o seu dia e tudo aquilo que eu insistia em saber. Deixava escapar uma pontinha de ciume perguntando se existia uma outra pessoa morando em seu pensamento. Isso era a única coisa que Bárbara odiava em mim. Eu perguntava isso só para encher o saco, eu confiava demais nela e não iria botar tudo à perder por um ciume bobo. Sei que ela pensava igual sabendo como eu sou e sempre fui. Convidei-a para sair aquela noite. Tomar um café em alguma lugar, mas recusou. Disse que precisava ajudar Clara que estava doente. Eu fiquei chateado e perguntei porque Michael não poderia fazê-lo, até que eu soube que Clara havia terminado tudo na noite em seguida em que dormiu na casa dele. O motivo eu juro que não quis saber...
Bárbara odiava gatos. Quando disse que meu amigo mais fiel era Doyle, ela me chamou de idiota. Perguntou o por que de eu não tinha pego um cachorro. Dizia que eram bem melhores que gatos, que gatos eram interesseiros e aquela coisa que todas as pessoas do mundo falam sobre os gatos. Ela odiava o fato de eu não saber conversar com pessoas desconhecidas, não sei o motivo também, já que ela nunca soube fazer isso. O trabalho dela exigia saber dessas coisas, exigia sorrir para os clientes... Esse deve ter sido o melhor trabalho que ela conseguiu na vida. O fato de um gato dividir o mesmo teto que eu, fez Bárbara recusar meu convite para vir aos meus aposentos uma vez. Mas depois que nos declaramos, até o ódio por gatos ela resolveu esquecer. Ela era a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida.

sábado, 26 de junho de 2010

Post #158 (#152 Pt. VII)

Acabamos nós quatro - eu, Bárbara, Clara e seu novo namorado - indo ao cinema. Fizemos que nem adolescentes, em casais assim, coisa que até então eu nunca tinha feito na vida. Resolvi fazer tudo o que minha adolescência não permitiu; abracei ela fingindo me espreguiçar, coloquei minha mão sobre a dela "sem perceber" no apoio de braço, isso fez ela soltar uma gargalhada no meio do filme enquanto me chamava de "o idiota mais fofo" que ela já tinha conhecido. Não sei, mas eu adorava ser chamado de idiota por ela. Eu imaginava que, o que entregava o sentimento dela, era o modo que se referia a mim. Me xingando de um jeito diferente, ou chamando meu nome de um jeito mais legal. Isso fazia crescer a vontade de ouvir um "te amo" sair daquela boca.
Quando o filme terminou - filme péssimo, diga-se de passagem - levei Bárbara para casa enquanto Clara foi para casa de Michael. Como morávamos no centro, morávamos também perto de tudo, inclusive do cinema. Era uma distância considerável, sete longas quadras que andamos devagar. Aquilo estava perfeito. Só nós dois pelo meio da rua, enquanto a única coisa que se ouvia era as nossas vozes conversando como se a gente fosse amigos desde os dez anos de idade. Eis que no meio desse caminho, a chuva começa a cair sobre nossas cabeças. Eu teria odiado isso, mas nesse momento, descobri que Bárbara adorava banhos de chuva inesperado. Não nos deixamos abater pela água que nos molhava, ficamos feito crianças andando e jogando água das poças um no outro. Cantávamos mais alto que o barulho da tempestade, estávamos de fato muito felizes.
Ao chegar em sua casa, deixe-a novamente na porta e a abracei. E ao pé de seu ouvido, soltei o que estava entalado na garganta:

- Eu te amo.
- O quê? - espanto.
- Eu disse que te amo. Você ainda não percebeu? Todas essas nossas conversas, você me perguntando se eu tinha alguém, se eu gostava de alguém, eu sempre respondia não, justamente porque eu quero você. Não que houvesse alguém, é claro, mas, o que me interessa agora é você... Não acho exagero nenhum eu disser que gostaria de passar o resto da vida ao seu lado, Bárbara. Se você tiver algum outro cara em vista, não hesite em me dizer agora. Pelo menos eu já consegui te dizer tudo o que queria. Acho que até a Clara já se tocou que eu amo você.
- Oh, Glenn... Eu estou sem palavras. - confusa
- Tu..Tudo bem, eu vou entender se você não quiser mais...
Antes que pudesse terminar de falar, Bárbara desceu um degrau e me deu um beijo. O beijo mais longo que já recebi na vida, o tão esperado beijo. O encontro de línguas que marcou nossos corações para sempre, misturado com água que vinha dos nossos olhos e com a água que caía do céu. Me descobri ali, naquela noite de sexta feira, a pessoa mais feliz do mundo todo.

- Glenn! Glenn! Glenn! - eufórica - Eu tinha medo de te dizer isso e você não querer nada comigo. Você me dizia que nunca havia tido coragem de contar para uma menina o que sentia, achei que fosse acontecer o mesmo agora. Imaginei te dizendo todas essas coisas e você me deixando arrasada. Clara me dizia coisas do tipo "Bárbara, até eu sei que ele gosta de você!", e isso me encorajava demais, mas ainda sentia medo de que fosse imaginação... Glenn, você me fez a mulher mais feliz do mundo agora.
- Eu te amo, Bárbara.
- Je t'aime, Glenn!

É isso aí... Para completar sua perfeição, Bárbara sabia falar francês.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Post #157 (#152 Pt. VI)

Acabamos passando horas no telefone naquela semana. Fiquei sabendo coisas interessantes a seu respeito e eu, com muito esforço e coragem, acabei falando um pouco de minha vida. Ela não era muito parecida comigo. Gosto musical, literário, comidas... Eram tão diferentes. Isso não era ruim, já que eu estava tão envolvido com ela. Ela me adorava, mas não dizia que gostava de mim, ela era do tipo da garota que gosta de ter certeza do que está sentindo antes de sair falando "qualquer coisa"... ou só era tímida mesmo para dizer que morria de amores por mim - era isso que eu imaginava.
Ela era três anos mais jovem que eu. Fez faculdade de Direito mas não seguiu carreira. Dividia apartamento com uma amiga que conhecera antes da faculdade, só que, diferente de Bárbara, fez o que a vida lhe ordenou. Elas eram diferentes, pelo que me falava. Clara era mais festeira e vivia com um cara por vez. Não se apegava fácil e dificilmente sofria por algum deles. Depois de sua primeira desilusão, em que o menino que gostava na adolescência beijava sua irmã em sua frente, ela não se abateu e resolveu não se importar com isso. Não entendi como ela conseguiu fazer isso com facilidade, achei ela muito estranha por causa disso. Elas já eram amigas de tempo mas Bárbara ainda não havia falado de mim, apesar de Clara ter-lhe perguntado milhares de vezes com quem ela conversava tanto no telefone.
Bárbara me apaixonava com as coisas que me dizia. Ela me fazia rir demais, feito uma criança mesmo. Ela era divertida e bonita. Ela não precisava usar maquiagem para se tornar a mulher mais linda que poderia existir, mas insistia em passar lápis nos olhos e um brilho caía aos lábios. Ela era realmente incrível. Seus cabelos que dançavam aos ombros eram perfeitos. Era atraente e não fazia cerimônia para escolher roupa - amém! Havia perdido o pai quando criança e mãe morava em um bairro próximo ao centro. Tinha um irmão que morava na Austrália, casado e com duas filhas. Era tia, e eu, implorava em silêncio para que pudesse me tornar tio das crianças.
Pensei em convidá-la para vir à minha casa beber um chá, ouvir uma música, dançar sem medo que outras pessoas assistissem, conhecer o Doyle. Mas não o fiz. Não era hora para isso, mas de certa forma, acho que ela sabia que eu queria passar um dia abraçado com ela. De certa forma, ela sabia que eu estava apaixonado.

...continua

Post #156 (#152 Pt. V)

A semana começava mais uma vez, tão normal e pacata quanto as outras se não fosse por uma coisa: eu estava feliz. Não sabia que gostar de alguém - sim, eu gostava de Bárbara - causava tanto impacto assim em alguém. Claro, o "gostar" que eu digo não era aquele da minha adolescência, que eu escondia de todo mundo e ficava triste por qualquer coisa, esse gostar era como um triunfo, uma vitória. Acho que era por achar que ela também gostava de mim. Eu saí de casa tão alegre, cumprimentava todas as pessoas que via na rua, me senti a pessoa mais simpática do mundo... E tudo isso por causa de uma pessoa.
Eu desenhava para um jornal da cidade, coisa que Bárbara até então não sabia, mas os Glenn que vinha assinado nos quadrinhos era eu. Quadrinhos que, ela adorava e sempre gostava dos desenhos "bem feitinhos". Eu saía cedo do meu trabalho, por volta das 15:00h todos os dias, dava tempo de sair, ir para casa e depois ir ao sebo em que Bárbara trabalhava. Resolvi começar a fazer isso. No caminho, comprei-lhe um chocolate por agrado. Não queria mudar com ela ou acabar fazendo alguma coisa que lhe causasse, não que palavra usar, mas que não fizesse ela desgostar de mim, entendem? Eu pensava em fazer todas as suas vontades.
Cheguei ao sebo e logo a vi. Meus olhos cresceram rapidamente e meu coração - novamente - ascendeu à boca. Fui até ela, agora, já com menos vergonha do que na primeira vez:

- Olá. Lembra de mim?
- Glenn! Que ótimo te ver por aqui.
- Saí do trabalho agora e resolvi dar uma passada para ver como você estava. Acabei ficando sem seu telefone para falar com você e ver como tem passado desde sábado.
- Ficamos combinados assim: eu te ligo logo quando chegar em casa e te passo meu número para me ligar quando quiser. Aquele sábado foi a melhor noite de minha vida, nunca havia estado com um cara tão legal quanto você e eu só tenho a te agradecer. Agora... Finja que está procurando algum livro ou disco que eu estou no meio do trabalho, seu bobo!
- É sério? - comovido - você realmente gostou da minha companhia? Bárbara, eu queria te dizer que você é a coisa mais extraordinária que já me aconteceu. Eu sei, é meio meloso e besta, mas é verdade.
- Óun, Glenn - brilhavam os olhos - você é um amor de pessoa, mas eu preciso voltar ao meu trabalho.

Parei de encher-lhe logo depois disso. Perguntei aonde estavam as HQ's e saí como quem não conhecia ela. Ao chegar à porta, piscou-me um de seus olhos castanhos e me acenou a mão. Aquilo foi lindo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Post #155 (#152 Pt. IV)

Enquanto eu voltava para minha casa, esperando um novo domingo tediante chegar, eu parecia que estava nas nuvens. Estava me sentindo a pessoa mais feliz do universo, não havia motivos para eu pôr novamente uma máscara triste nesse meu rosto barbado. Cheguei em casa e dormi feito uma criança.
Mais um domingo bateu à minha porta e novamente eu fiquei fazendo o que eu faço todos os domingos - nada. Isso não me preocupa mais. Quando eu tinha dezessete anos, era o fim do mundo para mim. Passava o dia todo na internet, mas sempre tinha alguma coisa para fazer. Eu era desanimado com a vida e ficar em casa no domingo era a única opção que me sobrava. Eu rezava para que o domingo demorasse para chegar, mas o tempo corria contra mim. Parece que tudo o que interessava-lhe era o domingo. A única pessoa que odiava domingo tanto quanto eu, era um amigo que eu tive, mas que por ventura nunca mais falou comigo. Foi-se para São Paulo e hoje não faço ideia de como esteja. Espero que esteja bem, eu o adorava.
Enquanto eu tocava minha viola nesse domingo de pijamas, não consegui tirar Bárbara da cabeça por um só segundo. Acabei fazendo umas melodias e uma canção com o nome dela. Foi coisa de momento e eu não faço ideia de como era a letra. Eu pensava em como ela estava, o que estava fazendo, como acordou, como foi dormir e principalmente se estava com um outro alguém - ciúme? Eu me via cada vez mais envolvido com ela e juro que isso estava me fazendo bem. Pensar nela só me fazia lembrar que passou da hora de comprar aquele disco do Cartola.
Pensei em passar na casa dela só para dar um oi e, se quisesse, sair comigo para fazer alguma coisa que as pessoas normais fazem domingo - shopping não. Mas enquanto eu colocava meus "red shoes" - and dance the blues - a chuva, ironicamente, começou a molhar a minha janela. Isso foi mais desanimador que ver uma menina que eu gostava de mãos dadas com outro guri. Coisa de adolescente besta. Hoje minha vida é diferente. No mais, fui obrigado a morar sozinho por mais um domingo. Junto de minha vitrola, minha caneca, livros e de meu fiel companheiro - Doyle, meu gato que já me acompanha há dois anos. Quando me mudei para esse apartamento, eu notei que precisava de uma companhia, e nada melhor que um gato para ouvir minhas mágoas.

...continua.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Post #154 (#152 Pt. III)

Eu dei o meu telefone para ela na esperança de que ela me ligasse. Não pedi o dela porque eu sabia que não iria ter coragem para discar os números. Eu sempre odiei telefone, nunca me dei bem com essas coisas, achava minha voz horrível e tudo mais - aliás, eu achava tudo em mim horrível. Fui até a cozinha, preparei mais um chá e sentei-me novamente em minha poltrona esperando pela ligação de Bárbara. Esperei por longos dez minutos, até que o telefone tocou. Eu conversei com tanta facilidade que fiquei até impressionado comigo mesmo. Juro que não pensava que me sairia tão bem falando ao telefone com alguém... Alguém como ela, é claro. Marcamos de nos encontrar sábado à tarde para comermos juntos e nos conhecermos melhor. Eu ficava cada minuto mais ansioso.
Chegando àquele sábado, eu levantei como se eu fosse o cara mais sortudo do mundo. Se nada que eu havia planejado ou pensado chegasse a se concretizar, eu já estaria satisfeito com a atitude que tomei de ir falar com Bárbara pela primeira vez - tudo bem, foi no trabalho dela, se fosse na rua provavelmente iria passar batido. Resolvi mudar. Ao invés de chá, preparei um café fortíssimo e ouvi Orlando Silva a manhã toda. Tanta inspiração servia como um combustível a mais e o mais legal disso é que eu estava super confiante. Tomei o banho mais longo da minha vida e coloquei a minha melhor roupa - coisa brega e nada na moda. Saí de casa ao som de pássaros cantando, desci as escadas dançando, o meu coração estourando, e as flores à mim sussurando coisas legais que traziam harmonia à alma.
Cheguei lá e ela estava virada de costas para a porta. Roubei uma singela margaridazinha e cheguei todo tímido - eu realmente não sabia o que fazer - ela levantou e cumprimentou-me:

– Oi, Glenn. - disse-me com aquele mesmo sorriso encantador.
– Olá. - em tom meio baixo.
– Então... Você vem muito nesse lugar?
– Negativo. Gosto de vir aqui em ocasiões, digamos, especiais.
– Tipo quais?
– Não sei. Essa é a primeira vez.

Depois dessa cantada inventada na hora, Bárbara olhou para o fundo dos meus olhos, como se quisesse me esmagar, ou me abraçar até morrer. Pelo menos era o que eu gostava de acreditar. Conversamos até mais ou menos onze horas da noite, que foi quando o restaurante fechou. Cometi uma gafe tremenda que não quero pôr em linhas. O importante disso é que Bárbara riu como nunca havia feito na vida - segundo ela mesma.
Quando saímos de lá, resolvi dar uma de cavalheiro de levar ela até sua porta. Enquanto caminhávamos, fomos conversando mais e nos conhecendo cada vez mais. A gente até arriscou alguns passos de dança sob aquela neblina densa, onde ninguém nos via - só fizemos isso justamente porque ninguém nos via - rimos feito dois idiotas e demoramos muito tempo para chegar. Quando lhe deixei, ela sorriu - ai meu Deus, como eu adorava esses sorrisos - e disse:

– Obrigada pela noite. Você é mais interessante do que eu pensava!
– Como assim "do que eu pensava"?
– Desculpa, mas meu gênero instrospectivo não vai me deixar falar mais que isso. Já estou espantanda de ter aceitado seu convite.
– Tudo bem. Acho que te entendo, também tenho esse lance todo quieto e tal... Espero te ver novamente.
– Bem, eu tenho seu telefone e você sabe aonde eu trabalho e fico o dia todo. Então... Oportunidades não faltarão!
– Ficamos combinados então. Qualquer coisa me ligue.
– Ligo!

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela deixou cair sua boina - propositalmente? - ao meus pés. Fui obrigado a devolver-lhe. No ato, ela desceu as escadas e me abraçou com força, me deu um beijo na testa e depois ficou envergonhada. Foi a coisa mais bonita que fizeram para mim em vinte e oito verões...

...continua

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Post #153 (#152 Pt. II)

– Moço...? - disse rindo meia boca.
– Desculpe. Não prestei atenção em nada do que disse. Mas já achei o que queria. Até outro dia.
– Tudo bem - e sorriu-me de uma forma tão doce que quase morri de amores ali mesmo.

Claro que aquilo que eu acabara de falar não era a coisa mais inteligente do mundo. Mas na hora, sei lá... Eu travei tudo, fiquei sem reação, não soube o que falar... Não é de hoje que eu não sei me portar perante uma mulher bonita. Eu sei lá, mas eu senti tanto amor naqueles sorrisos que eu até esqueci que disco queria comprar. Acabei saindo do sebo de mãos abanando, em compensação, meu coração transbordava coisas legais, lindas, recheadas de carinho e outras mil peças pregadas por essa minha imaginação tão fertil.
No outro dia, pensei em voltar até lá só para tentar conversar com ela uma vez mais. Dessa vez, eu queria mesmo conversar e não só perguntar aonde ficavam os discos. Acabei não fazendo por razões das quais eu mesmo desconheço. Talvez tenha me faltado coragem. Quando resolvi voltar lá, fui destemido a realmente conseguir alguma coisa além do "Oi, aonde fica a sessão de filosofia?":

– Oi.
– Olá. Em que posso ajudar?
– Eu venho observando esse sebo há um tempo. Notei que você é quase a coisa mais incrível que meus olhos já tiveram o prazer de encarar. Vim aqui atrás de um disco há uns dias, mas saí sem nada, esquecendo até o que estava procurando. Acho que eu só queria te dizer que você é linda. Era isso. Estou pronto para ouvir qualquer tipo de xingamento. Depois disso vou embora e prometo não mais encher-lhe a paciência.
– Oh... Obrigada! - riu envergonhada - Eu ouvi isso muitas vezes na minha vida, mas nunca de maneira tão transparente quanto essa que me transmitiu. Você parece ser uma rapaz legal, como se chama?
– Glenn. E você?
– Bárbara.
– Parece mentira ou meio piegas, mas eu sempre adorei esse nome...

E assim conversamos durante um bom tempo. Para mim era um avanço gigante, conseguir conversar com uma moça tão bonita quanto Bárbara. Resolvemos nos encontrar fora do Sebo para ver aonde nossas conversas nos levariam. Eu estava mais nervoso que um certo menino em sua primeira apresentação escolar.

...espero que haja continuação