quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Perdido em 33 rotações


Roendo as unhas até jorrar sangue
Escrever com os dedos deteriorados.
As gotas caem sobre o teclado
Fica vermelho, tão vermelho de paixão.
Alegria pegou o último trem para Aokigahara.
E lá prepara a corda para dar fim à vida.
Minha alegria agora viaja para se dar cabo
Minha angústia me consola sentada na cama.
Uma espécie de tremor gelado
Faz um puta sol lá fora mas chove no meu quarto.
Cai chuva dos discos, do teto e, é claro,
dos meus olhos.
Meu cigarro clareando a madrugada
Faz com que algo brilhe aqui dentro.
Meu peito dilacerado pelas tuas mãos
O carinho que nunca mais receberei.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Cause you don't love me anymore

Ele fantasiava a morte no quarto.
Sempre pensava em quem não o amava.
À noite, enquanto seus pais dormiam
Em segredo com sua gilete se cortava.

Ele gostava mais das pessoas azuis
Do que as que viviam com sorriso na cara.
Pensava em sexo a quase todo momento
E guardava em si a mais secreta e suja tara.

Ele cresceu vendo seus pais brigando todos os dias
Enquanto seu irmão mais velho no álcool se afundava.
Até mesmo Deus decepcionava o pobre menino
E todas as noites, quietinho, em seu quarto chorava.

Ele fumava cigarros como se fosse uma chaminé
Não sabia qual era a sensação de ser amado.
Não acreditava em histórias para crianças
Sangrava tanto pelo corpo que já havia se matado.

Ele gostava das canções mais tristes do mundo
Porque apenas essas letras eram do seu agrado.
Tomou uma quantidade absurda de remédios
E no porão de sua casa seu corpo foi encontrado.

"Why does my heart go on beating?
Why do these eyes of mine cry?
Don't they know it's the end of the world.
It ended when you said goodbye."

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Tereza & Tomas

— Você me pegou pelo braço
Fez com que meu corpo quebrasse.
Não aguento mais viver essa merda
Estou vivendo em um horrível impasse.

— Foi tu quem procurou essa dor
E causou a si mesma essa porra!
Melhor ir pra longe com essa flor
Antes que esse daqui morra!

— O que mais queria era ver você chorando
A perda de alguém tão especial pra ti.
Você nesse tempo todo só me fez sofrer
Mesmo com todo o amor que reparti.

— Vi você olhando nos olhos daquele rapaz
Já disse que a culpa foi toda sua.
Você quer entrar no quarto e fazê-lo gozar?
Você quer se deitar à sua cama toda nua?

— Seu bosta! Não aguento mais uma palavra calada
Agora, cortarei por completo nossa relação.
Não vê que isso que cê faz me deixa puta?
Não vê que cê só sabe partir meu coração?

— Nojenta! Saia já dessa casa
E, de nós, leve cada fotografia.
Pode ficar com os anéis e colares que te dei
E as cartas com tua podre caligrafia.

— É bom mesmo que não venha atrás de mim.
Longe dessa tua barba serei muito mais feliz!
A próxima vez que encostar no meu corpo
Não hesito em, certeiro, quebrar-te o nariz!

... Só se ouve pegadas geladas e um choro copioso.
O que será que Tereza teria feito a Tomas?
O que será que Tomas teria feito à Tereza?

— Escute: você nunca verá meu rosto novamente
Será bem mais feliz com uma outra qualquer.
Agora preciso sair logo desta merda
Para que encontre outra pessoa para fazer de mim mulher.

— Peço perdão por todo meu ciúme doentio
Compreendo sua decisão e apoio com louvor.
Saia logo antes que briguemos de novo
Não me faço de forte e já não suporto a dor.

— Adeus, seu lixo!
Não soube aproveitar o que te dei.
Viva com a consciência pesada
E perceba que não fui eu que falhei.

A noite de Tomas acabou de tomar as formas
Nunca tinha passado por uma tão forte treta.
Afogado em remorso ele tirou sua vida
Com a arma que guardava, em segredo, na gaveta.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Troy Von Balthazar

Uma saúde quase nada sadia
Vazio parece que fica o coração.
Minha aventura mais legal do dia
É derrubar o cinzeiro cheio no chão.

O gato rebola pedindo comida
A chuva cai pra molhar a grama.
Um bocado de coisa pra conquistar na vida
Mas no bolso não tem nem sobra de grana.

Dia triste, céu cinzento e ritalina
Com saudade na boca como o que tiver.
Mais um dia sem o sorriso de menina
E sem outra possível alegria qualquer.

A noite chega e às 5h me ponho deitado
A aventura do homem triste chega ao fim.
Tanta dor no outro qu'eu poderia ter evitado
Transforma-se agora numa puta dor no rim.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

So let's just see what happens when the winter ends

Depois de alguns meses, trombei você de novo
E foi bom.
Foi como se eu me sentisse dentro dum sonho meu.
Conversar com você e poder ver um sorriso teu escapar foi bom.
Aquela massageada que deu em meu braço
Como quem diz "e aí, como é que cê tá?" foi boa também.
Até o adeus foi bom.
Imaginando como deverá ser passar mais meses sem a tua presença
Sem acordar e te ver do meu lado.
Sem passear de mãos dadas.
Sem o teu carinho gratuito
E tua falta de atenção às minhas palavras.
Quero te encontrar qualquer dia e ver como cê continua bonita
Como a nova cor dos seus cabelos destacam teus belos olhos.
Peço para que passe aqui em casa se te der vontade
A gente pode fumar um cigarro dentro do meu quarto.
Podemos tomar café enquanto cê olha meu gato que ainda não conhece.
Ouvir algum disco que lembre da gente,
Como aqueles que te dei,
Ou aqueles que cê me deu.
Ouvir "Something" e te dizer como é estranho o jeito que ela toca,
O jeito como entra em mim e sai tão você.
Dar risada disso
E terminar, sem querer, num encontro gostoso de bocas.
Por deus, que saudade de te beijar...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cinza é a cor mais fria

Uma dor incrivelmente forte bate em meu peito. Arregaça tudo de bom que tem dentro das entranhas da minha memória. E, como de costume, não sei lidar com isso. É uma mistura de incapacidade com medo. O mesmo medo que assola corações solitário dessa cidade. Não sei. O que aconteceu comigo? Eu estava bem há quinze minutos atrás. Não faço ideia do que me tornei, o que se tornaram minhas ideias e planos e agora me vejo perdido dentro do meu quarto escuro. Enquanto isso, o sol brilha soberano lá fora e não há uma única nuvem colorindo o céu. Tá tudo azul. Enquanto aqui dentro e aqui dentro de mim, tudo parece morto. Tudo parece tão sem cor...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

I will never see you again

Cê tá cada dia mais distante
Aposto que mal lembra do meu nome.
Pra mim você está ainda mais viva
E lembrar de ti é como ter fome.
Cê nunca mais cruzou meu caminho
Tua beleza nunca passou na minha rua.
Teus olhos verdes não pegam meu ônibus
Nunca, na vida, tornarei e te ver nua.
Volto a escrever sobre você
Como tanto já fiz e você nunca leu.
Podemos, sim, se quiser, sermos amigos
E cê me dá aquela paz que me prometeu.
Sua tatuagem para sempre estará em minha pele
Meu castelinho de areia, com tuas mãos, destruíste.
Pelo andar da carruagem, nunca vou te ver de novo
E confesso que isso me deixa um pouco triste.