quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Happy days are here again"

Oi. Faz muito tempo que não paro nesse blog para escrever algo que não sejam essas linhas pouco poetizadas que eu costumo lançar. Antes, eu costumava escrever sobre meus dias, sobre a minha vida. Senti vontade de fazer isso outra vez e é isso o que vai acontecer agora.

Tô ligado que é pouca gente que lê isso aqui, mas sei também que tem gente que acompanha desde quando comecei com tudo. Quando eu falava da minha vida, era sempre para reclamar. Era sempre pra dizer que eu estava insatisfeito, que eu era tímido demais, que eu queria um videogame, uma namorada e um gato. Pode-se dizer que hoje em dia consegui os três (ou quase...)

Cansei de falar sobre como eu era infeliz, por isso resolvi apenas fazer poesias, ainda que bem pobres e às vezes não tão bonitas. Sei lá, meus dias não eram bonitos, tudo o que eu fazia, não achava bonito. E é sobre essa mudança que eu quero falar.

Não sei se vocês já passaram por isso, mas sabem quando você tá no fundo - bem no fundo - do poço e acha que o que há de acontecer é você padecer para tudo, levar pancada e afundar cada vez mais? Eu sabia o que era isso. Sabia como era estar sendo enterrado vivo num poço fundo... Até que fui salvo.

O título desta postagem é este, porque, os dias felizes estão aqui novamente. Há dois meses os dias felizes voltaram. Há dois meses que me devolveram algo de mim que eu tinha perdido. Sim, mano, eu tô contente pra caralho com isso tudo e digo muito certo que as coisas estão funcionando. "O amor continua uma bosta, mas fazer o quê? Eu tô amando". Tô feliz em ver que, por algum motivo, eu faço sentido na vida de alguém (desculpas aos amigos, mas cês sabem de qual sentido eu tô falando).  Tô feliz de tomar doses de chá de camomila todos os dias, ainda não são as doses que eu realmente quero, mas, fazer o quê? Com o tempo isso vem. Fico grato a DEUS ;D, esse zuão, por isso estar acontecendo comigo. Porra, eu nunca achei que fosse ser recíproco um dia. Confesso ainda estar surpreso com isso. Eu adoro ser surpreendido positivamente. A vontade de viver voltou e eu estou muito feliz de acordar todos os dias sem a vontade de morrer que eu tinha.

Sei lá. Nada daqui é novidade há dois meses pra mim. Queria partilhar com vocês, leitores-fantasma, tão presentes e atentos aos meus sofrimentos do passado recente. Esse blog deixou de ser oculto há anos e, agora, deixa também de ser opaco.

Quero que isso dure. Que vá além de 2019 ou além de qquinze anos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Soterrado de cimento


Havia um bom tempo que não passava a tarde coberto por essa avalanche de pancadas na cara. Eu não estava sentindo saudades disso. Meus horários se inverteram de repente e eu ainda não me encontrei. Queria poder contar que eu me sinto bem, porém, de vez em quando a ferida ainda abre. Peço desculpas. Não quero mentir pra ninguém.
Passei a odiar duramente o meu trabalho. De uma forma quase tão intensa quanto odeio a mim mesmo. Tudo tem ficado feio e desorganizado. Não aguento mais anotar códigos, DOT’s ou números de fogo. 27. 71037894. DOT 2008. Ah, vão tomar no cu.
Tem vez que eu tô no corredor da parte de fora varrendo. Olho pro céu que me revida o olhar com muita frieza - tá cinza, vai chover e molhar o pó que varro. A moça da cozinha passa por mim e não me dá boa tarde. Olho as árvores que me acenam como se reprovassem o que estou fazendo - estou varrendo muita formiga, sem querer até piso em algumas. Isso me entristece de uma maneira tão aguda…
Porra, tem dias que ir pro trabalho é uma bosta.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

So very tired of being sick

a vida é isso
cê fica doente, sua mãe fica doente
na casa, no teu quarto
encontram-se remédios demais e saúde e amor de menos
então você percebe que a tua medicina
o teu remédio
é muito incerto e custa bem mais de vinte mil pés

de repente, seu corpo deita
cê ensurdece
e resolve ligar a televisão:
no jornal tem guerra e muita morte
no ratinho tem homofobia e machismo
e você nota que essa tua gripe nem é nada
perto da doença que é o mundo por si só

e a vida é isso: nossa cansativa doença terminal

domingo, 1 de julho de 2012

Eu odeia eu serum ano


dá raiva de mim até pra olhar no espelho e escovar os dentes
é por causa disso que faço esse tipo de coisa sem acender a luz

odeio o jeito como minha respiração funciona mal
se o nariz não funciona direito e tenho que respirar pela boca
seria mais fácil se toda essa porra parasse de uma vez

homens são espancados por estarem abraçados
são despedidos dos empregos de merda que têm
e ainda querem que eu veja tudo com otimismo…

esse mundo é só o inferno de alguma outra coisa

terça-feira, 19 de junho de 2012

buscando força da raiz da árvore

eu queria fazer com que vocês se parecessem comigo
queria que as coisas que escrevo refletissem algo
familiar aos seus olhos e
que quando fossem lidas em voz alta
aos seus ouvidos

tá ligado quando cê tosse muito e fica sem ar
ou seu rosto queima
seus olhos quase saltam do rosto?
tá ligado quando cê fica parada numa má posição
e quando ajeita o corpo os ossos se estralam?
sabe quando cê vê que a outra menina tá namorando
e cê fica sem saída dentro de si mesmo
querendo que o mundo todo te esqueça?

sei lá, eu só queria que cês pensassem assim:
"caralho, sei bem como é passar por isso!"
talvez isso conseguisse me curar
e fizesse eu me sentir um pouco menos sozinho

domingo, 17 de junho de 2012

19h49

19h44
essa é a hora local na minha casa
um dia vazio, cinzento, rabugento e muito sem graça
um pedaço esquecível do fim de semana
que tentou imitar o rastro de fracasso que há no meio dela
e conseguiu fazê-lo perfeitamente

o que era para ser uma espécie de refúgio
tornou-se apenas outra prisão do meu corpo
todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, não é assim
que aquela música ruim canta?
pois é.
o sábado à noite só me mostra que o domingo vem rastejante
que te agarra pelas pernas, te derruba e te amordaça
e você, sem saída, sem amigos, sem carinho
acaba ficando longe de toda coisa que é boa

escrevo todas essas coisas para me sentir melhor
parece tão eficaz quanto encher o braço de cortes
amanhã o dia vai amanhecer como hoje
frio, sem graça e solitário
fazendo com que eu pense que sou o pior que existe
tentando me empurrar contra a parede

cansados de perder, alguns tentam mudar por dentro

terça-feira, 12 de junho de 2012

Escrita interrompida

morro de vontade de passar na tua rua
de pegar uma latinha da mochila e pichar teu muro
escrever que teu cabelo é bonito
escrever que teu sorriso é bonito
mas eu sei que isso vai soar mal
tenho medo do vizinho ligar pra polícia
e que eu seja preso pelo policial
eu sou uma criança, ainda
mas eu tenho vontade de pichar o teu muro
e dizer que sonho com você toda noite
e dizer que o teu banco no bonde tá guardado
do meu lado
mas o policial me enche de medo...