segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

E eu não troco meus livros nem minha coleção de discos por você, então exclamou

Te dei a chave e deixei a porta livre
Você chegou e engoliu a chave
Antes, chorou ouvindo Joie de Vivre
E a bola do gol bateu na trave
Com a cabeça deitada na cama
Pensou no que ainda não esqueceu
Aquela doce voz não mais te chama
E cê lembra, até, do que não aconteceu
O sol já dá bom dia às bolsas dos olhos
E faz frio mesmo com o calor
"Os meus ferinos abrolhos
Nasceram do teu amor"

sábado, 3 de janeiro de 2015

Um rap anti-homofobia à procura do beat perfeito

Quando cê liga a TV querendo se entreter
Não percebe que homossexuais são só pessoas como você?
Que sentem dor no peito quando são magoados,
Que são abandonados pelos seus namorados,
Que quando adoecem também ficam internados
E quando tão sem grana, vão ao caixa pegar extratos.
Por que diminuir um ser-humano achando ser melhor?
Na terra onde os home controla todo mundo é o pior.
Todos temos dois olhos para ver a beleza do mundo
Mas com esse preconceito a tristeza vem em tamanho jumbo.
Duas garotas podem, sim, trocar beijos no meio da rua
Dois garotos podem, sim, andar de mãos dadas
Se o amor nos impedir de ter nossa pele nua
Será que não é melhor viver num conto de fadas?
O pressuposto vindo da bíblia mata pessoas pelas ruas
Espanca corações que buscam, apenas, um ponto de paz.
Alguns preferem bem-passado, outros, as carnes cruas
E todo essa idiotice não os deixam viver mais.
O Datena mostra toda tarde que gays morrem pelos becos do Brasil
O Bonner põe na tela que na Rússia não há tranquilidade.
Eu só queria acreditar que o mundo todo não é hostil
E ver esses casais demonstrando afeto nas praças da cidade.
Nas palavras enjoadas do Malafaia cê não deve acreditar
Nem em nenhum padre que julgue seu amor como pecado.
Você é uma pessoa livre e não importa a quem amar
O futuro não deve ter a mania de querer imitar o passado.
O batom nos lábios pede beijo na boca
O cabelo tá grande e fica saindo da touca.
Pinto os olhos com o lápis do estojo
Só pra dizer que sua homofobia me dá nojo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Brasas esverdeadas

Acendi um incenso e li as frases escritas nas minhas paredes
Sentei-me sozinho na cama antes de preparar o café
Senti a brisa que vinha da manhã que não era normal num Dezembro
Antes de sair da cama peguei meu cigarro e meu isqueiro
E te acendi junto ao cigarro
Te acordei do sono profundo que dormia dentro da minha cabeça
Já pedi tantas vezes para que você desapareça
Mas daqui você não sai
Teu sorriso ainda me atrai
E é aquela velha história: penso sobre a morte e sobre seu sorriso o tempo todo
Mas, para mim, as duas coisas são uma só.
E eu não sei me desligar disso.

Olhei para o céu na esperança que caia água
Mas do céu eu só recebi os sorrisos das nuvens e o calor do sol
Lembro de ti até vendo futebol
Ainda não afoguei nenhuma mágoa.
Levantei e peguei o cinzeiro que estava ao lado do notebook
E voltei para a cama.
Dormir mais uma hora, talvez? Afinal, eu preciso.
Há dois anos não sei o que é dormir direito.
Você sempre invade meus sonhos outra vez, e outra vez, e outra vez...
Daqui não sai nada
E cê nem é mais a namorada
Que tanto sonhei na adolescência.

Por que será que ainda me sinto assim?
Por que será que sinto tanta vontade de conversar de novo contigo?
Será que é remorso por ter dado alguma mancada?
Eu não sei. Honestamente, não sei.
Terminei o cigarro, bebi o café e você ainda não foi embora.
Às vezes desconfio que tu tenhas duas casas.
Uma, a sua, onde mora. A outra, meus pensamentos. Meus desejos.
É complicado, cara. Para mim é muito complicado.

Dia vinte e seis, logo após o Natal, eu vou viajar.
Mas não é para algum lugar, fisicamente, perto de você.
É para um lugar onde eu consigo estar mais perto de mim
E
Mesmo tão longe
Um lugar onde eu consiga te sentir perto. Sussurrando em meu ouvido.
Me chamando de apelidinhos idiotas e carinhosos.
Já não quero sentir isso.
E dentro do peito a solidão ecoa.
Não quero mais pensar em você.
Eu quero sofrer por outra pessoa.

Saio do quarto e te deixo na cama, até a hora em que resolva me atazanar novamente
No meio da rua
Na carne crua
Na pele nua
Fazendo com que a água que tanto quero ver cair do céu
Acabe caíndo dos meus olhos.

Eu não sinto saudade.
Eu não vejo tv.
Eu sinto é vontade
De sumir com você.
E botar aqueles planos em prática. Talvez eu deva esperar...
Porque, assim como tu mesma disse, "o nosso tempo ainda nem começou"...

... Sai de mim para que eu possa voltar.
Mas volte daqui duas semanas,
Para colorir o coração
Que quando te vê ferve em chamas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Acácio não quer acordar no dia de amanhã

Pensar ainda incomoda um bocado
e eu já nem sei mais o que temer
nem o cigarro tá me ajudando essa noite
será que, por deus, desaprendi a escrever?

Sou amigo das páginas em branco
e o meu sofrimento ninguém vai deter
será que se eu for dormir agora
amanhã já conseguirei esquecer?

Meus olhos reprovam a ação da minhas mãos
com tanta pancada na cara a vista vai escurecer
este corpo não aguentaria mais um dia ensolarado
que custa sair do mundo sem que eu tenha de envelhecer?

Um carro que passa em alta velocidade,
um sorvete que, ao sol, põe-se a derreter
será que se eu fumar outro careto agora
amanhã eu tenho a sorte de já morrer?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Me faria um bem sair desse mundo de trapaceiros

Não quero mais acordar no dia seguinte
Sentir o cheiro podre do machismo ainda
Imperando pelas ruas do meu bairro.
Não quero viver num lugar onde a polícia
Atira pra matar em toda viela da minha
Periferia.
O mundo é um péssimo lugar e eu já não
Tenho nenhuma esperança de que um dia
Essa merda toda vá mudar. E pensar nisso
Me consome. Consome meu tempo. Consome
Minha vida. É por causa disso que eu quero
Sair de uma vez dessa jogatina fétida que é
Viver.
Quero chegar até o posto da esquina do Mariano
Comprar doze litros de gasolina e beber na frente
Dos olhos dos frentistas. Quero morrer ali mesmo.
Sem luxo, só o lixo. Quero chegar no mercado
E comprar uma gilete para fazer a barba. Chegar
No caixa para pagar e rapidamente cortar a garganta
Sangrar por todo o corredor dos enlatados e ver
A moça que opera o caixa chorando desesperada.
Sinto vontade de aprender a dirigir apenas com
O intuito de pegar os cento e vinte na Manoel
Ribas e acabar, com sorte, acertando um Ligeirinho.
O foda é que eu acabaria causando estrago para
Outras pessoas. E eu não quero isso. Porque elas,
Tão diferentes de mim, têm vontade de continuar a
Viver nesse mundo sujo.
Aborta a missão. Vai comprar pão. Faca no coração.
Caminho até o viaduto que tem perto da Rodolatina
E ensaio um salto - literalmente - mortal.
Acabo caindo na frente de um caminhão carregado
De cimento. Sem tempo. Sem tempo pra lamento.
Meu corpo é dilacerado pela rodovia e ninguém
Parece se importar. É como se eu fosse só mais
Um cachorro velho que perde a vida para as rodas
Gigantes daquele veículo.
Acordo do pesadelo - ou será do mais belo sonho?
Percebo que é só mais um dia onde tenho que
Ir para a faculdade. Dizendo bom dia para os cobradores
E recebendo como troco a cara de ódio e desprezo.
Bom dia pra quem, sem otário? SEU OTÁRIO!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Devaneios do viajante sem cabeça

Às vezes, à noite, eu fico perdido.
Perco os rostos e não me sobra nada.
Sinto-me acoado sem o brilho no olhar
Um soldado em meio à guerra sem espada.
Tento fugir da solidão que me assola
Corro por aí pra poder pegar a estrada.
Não tenho o cheiro do seu cabelo
Nem o fervor da namorada.
Perdido nas linhas em que escrevi,
Dentro desse quarto,
Ponho-me a morrer
Com a cabeça cortada.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ferida aberta com sangue pulsando

Já faz uma Copa do mundo que a gente não se fala. Já foram-se dois horários de verão que a gente não se fala. O Corinthians foi campeão do Mundo há quase dois anos, mas nessa época a gente ainda se falava. Teve manifestações nas ruas do país, teve gente famosa e gente anônima morrendo. O Blues Velvet fechou as portas. O Cu de Fora agora tem versão oriental. No 351 rolou BNegão. As festas no DCE às sextas continuam custando três pila pra entrar. O cabelo do Rafão cresceu. Meu cabelo está a crescer. Perdi a virgindade. Meus pais foram pra Telêmaco depois de tempos longe de lá. Escrevi muitos poemas, muitos contos, muitas coisas ainda sobre você. Agora tenho um gato, o nome dele é Paçoca. Você nem liga, sei que prefere cachorros. Alkaline trio e Brand new não mais machucam meus ouvidos, o que sinto hoje é um suspiro que sai do peito pela boca e carrega teu nome. Já foram-se dois malditos horários de verão que a gente não se fala. Dois!  Terminei outro namoro. Beijei bocas. Reapaixonei-me diversas vezes. E ainda penso em você todos os dias.

Peço desculpa caso minhas linhas acabem sendo escritas sobre você. Teu nome vai estar pra sempre junto comigo. Tenho muita certeza do que sinto - por completo, não me desfarei nunca de você.

Um beijo com carinho!